Entre todos os coadjuvantes da série original, poucos são tão queridos quanto Suki. Por isso a ausência dela em Avatar Aang: O Último Mestre do Ar virou um dos assuntos mais comentados desde a estreia. Em entrevista à revista Variety, os criadores Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko, ao lado da diretora Lauren Montgomery, finalmente abordaram o tema.
A explicação dos criadores
A resposta veio sem rodeios. Segundo DiMartino, a equipe chegou a desenvolver versões do roteiro com a personagem incluída, mas esbarrou sempre no mesmo obstáculo: o tempo de tela disponível.
Ele explicou que a produção já enfrentava dificuldade para dar espaço adequado aos protagonistas. Encaixar mais alguém significaria roubar minutos justamente de quem precisava deles.
O criador ainda brincou com a situação. Segundo ele, as Guerreiras Kyoshi estavam ocupadas salvando outra pessoa enquanto os eventos do filme aconteciam. O grupo, aliás, tem agora uma série de quadrinhos própria.
Por que o argumento se sustenta
Basta olhar o que o longa precisou resolver em pouco mais de uma hora e meia. Há o trauma e o isolamento do protagonista, a apresentação de um antagonista completamente novo e ainda a trama dos vilões secundários.
Some-se a isso o desafio de dividir atenção entre Katara, Sokka, Toph e Zuko. Acrescentar outra personagem com história própria exigiria um espaço que simplesmente não existia.
Convém registrar também que ela não foi apagada. Suki aparece ao lado da equipe durante a sequência de créditos, o que indica que permanece parte daquele mundo.
Quem é Suki, afinal?
Para quem não lembra, ela lidera as Guerreiras Kyoshi, uma ordem feminina de combatentes da ilha que leva o nome de uma Avatar do passado. O detalhe que a torna especial é não ter poder de dobra alguma.

Ela vence na técnica, usando leques como arma e uma disciplina de treino rigorosa. Ao longo da série original, teve momentos decisivos e desenvolveu um relacionamento com Sokka. É por isso que parte do público a trata como integrante honorária da chamada Equipe Avatar, o grupo formado ao longo da jornada.
Ainda assim, a frustração do público é compreensível. Suki não é uma figura decorativa da série clássica, e a ausência dela deixa um buraco perceptível na dinâmica do grupo, principalmente ao lado de Sokka. Reconhecer isso não invalida a explicação dada, apenas mostra que toda escolha de roteiro cobra um preço.
Outra ideia descartada
A mesma entrevista revelou um segundo caminho abandonado. A equipe cogitou mostrar Katara grávida, situando a personagem em uma fase mais adulta. A conclusão foi que aquilo envelheceria demais o grupo para o tipo de história pretendida.
São dois indícios de que houve bastante discussão interna antes do formato final. Vale lembrar que decisões assim sempre existiram nesse universo, inclusive nas escolhas de duração e número de episódios das outras adaptações.
Há um aprendizado prático nessa decisão. Longas de animação derivados de séries longas enfrentam sempre o mesmo dilema entre reencontro nostálgico e narrativa enxuta. Colocar todo mundo em cena costuma render aplausos no primeiro minuto e cansaço no terceiro ato.
O que ainda pode acontecer
A porta não está fechada. Com mais projetos do universo em desenvolvimento, sobra espaço narrativo para a personagem reaparecer, sobretudo no intervalo entre a série clássica e a continuação estrelada por Korra.
Enquanto isso, quem quiser acompanhar as Guerreiras Kyoshi tem a alternativa dos quadrinhos dedicados ao grupo. Avatar Aang: O Último Mestre do Ar segue disponível no Paramount+.






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