Poucos fãs sabem, mas O Senhor dos Anéis quase ganhou uma versão muito diferente nas telas.
No fim da década de 1960, antes da trilogia consagrada de Peter Jackson, um projeto pra lá de inusitado tentou levar a obra de J.R.R. Tolkien ao cinema, com nada menos que os Beatles nos papéis principais e direção de Stanley Kubrick. A história é curiosa e mostra como o acaso ajudou a preservar a saga.
O plano dos Beatles na Terra-média
Tudo começou com o sucesso estrondoso dos livros. Após lançar O Hobbit, em 1937, Tolkien deu início, em 1954, à publicação da trilogia que viria a ser conhecida como O Senhor dos Anéis.
O fenômeno literário atraiu o interesse de vários grupos dispostos a adaptá-lo. Foi então que o estúdio United Artists teve uma ideia ambiciosa: escalar os quatro membros dos Beatles em papéis de destaque.
Segundo relatos, cada integrante tinha um personagem em mente. Paul McCartney viveria Frodo, Ringo Starr seria Sam e George Harrison encarnaria o mago Gandalf. Já John Lennon teria demonstrado interesse em interpretar Frodo, Gandalf ou até mesmo Gollum.

Além de atuar, a banda também ficaria responsável pela trilha sonora do longa.
Por que Stanley Kubrick recusou o projeto
Para dar peso à empreitada, a United Artists procurou um diretor de prestígio e ofereceu o filme a Stanley Kubrick. O cineasta vinha do enorme sucesso de 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas, ainda assim, recusou. Na visão dele, a obra de Tolkien era simplesmente impossível de ser filmada com os recursos disponíveis na época.
A recusa fazia certo sentido. Os livros eram densos e gigantescos, difíceis de condensar em menos de três filmes. Provavelmente, a própria experiência com 2001 mostrou a Kubrick os limites técnicos do cinema daquele período, quando até mesmo criar criaturas convincentes era um enorme desafio.

Vale lembrar, ainda, que o próprio Tolkien não simpatizava com a ideia de ver sua história nas mãos da banda.
Sem Kubrick e sem os Beatles, a obra ainda passaria por outras tentativas antes de encontrar seu lugar definitivo. Em 1978, por exemplo, foi lançada uma versão em rotoscopia, técnica de animação quase artesanal, que obteve algum sucesso comercial, mas acabou caindo no esquecimento por anos.
Ou seja, levar a Terra-média às telonas de forma satisfatória se mostrou uma tarefa muito mais complicada do que parecia.
Como a recusa ajudou a saga
Olhando para trás, o cancelamento foi um alívio. Um filme psicodélico, estrelado pelos Beatles e embalado por suas músicas, certamente teria levado a franquia para um rumo bem diferente. Pior: poderia ter manchado a reputação da obra, dificultando o trabalho de cineastas posteriores.
Não à toa, a tentativa dos Beatles é apenas um dos muitos capítulos da longa relação de Tolkien com as adaptações, repleta de acertos e fracassos.
Coube a Peter Jackson provar que Kubrick estava enganado, cerca de 30 anos depois. Sua trilogia, gravada de uma só vez, entregou filmes épicos de mais de três horas cada, que chegam a ultrapassar quatro horas nas versões estendidas.
O resultado se tornou um marco do cinema, com direito a 17 estatuetas do Oscar, sendo 11 apenas para O Retorno do Rei, um recorde absoluto para uma única produção. Décadas depois, o trabalho do diretor segue atual e continua inspirando novos projetos na Terra-média, como a possível nova trilogia da franquia.
No fim, ser considerada infilmável foi justamente o que manteve a magia intacta até a chegada de Jackson.





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