Hollywood está cheia de projetos que nunca saíram do papel. A maioria passa despercebida, mas alguns geram expectativa por anos antes de simplesmente sumirem, e os fãs da Marvel conhecem bem essa frustração com Blade.
Em 2019, veio a animação da notícia de que o personagem ganharia um reboot no MCU, com Mahershala Ali no papel principal. Sete anos depois, o projeto está praticamente morto.
Uma década de silêncio
Mas se o Blade do MCU parece ter se encerrado em apenas sete anos, outra movimentação envolvendo o personagem está parada há ainda mais tempo: dez anos. Em 2016, a atriz Kate Beckinsale, estrela de Anoitecer, revelou durante a Comic-Con de Nova York que já houve conversas sobre o assunto. Um crossover entre Blade e a franquia de vampiros e lobisomens chegou a ser cogitado.
Segundo ela, a ideia foi levada à Marvel, mas a resposta foi negativa, já que o estúdio afirmou estar preparando algo próprio para o personagem. Uma década depois, ninguém parece estar fazendo nada com Blade. Então, o que deu errado?
Dois universos que combinavam
Para entender por que esse crossover parece uma oportunidade perdida, é preciso voltar ao início dos anos 2000. Era um bom momento para vampiros no cinema: a trilogia original de Blade, estrelada por Wesley Snipes, vinha fazendo sucesso desde 1998, com as sequências Blade II e Blade: Trinity chegando em 2002 e 2004.
A franquia Anoitecer também decolava, com o primeiro filme em 2003 e sequências até 2016. As duas séries compartilhavam mais do que sanguessugas: eram sombrias e cheias de estilo, ainda que Anoitecer apostasse em um visual mais elegante e Blade, em mais violência explícita. O crossover teria tudo para funcionar.
Por que a parceria nunca engrenou
Provavelmente teria sido um sucesso e tanto, mas isso não significa que era algo que a Marvel realmente quisesse. Vários fatores atrapalharam. O primeiro foi o esgotamento da franquia Blade justamente quando Anoitecer ganhava força: Snipes deixou o papel após Trinity, longa marcado por bastidores conturbados.

Segundo cobertura da imprensa da época, o ator chegou a mover um processo contra a New Line Cinema e membros da equipe do filme. Em 2006, David S. Goyer tentou continuar a história com a série Blade: The Series, estrelada por Sticky Fingaz, mas ela durou apenas uma temporada. Com tantos problemas ao redor do personagem, colaborar num crossover dificilmente seria prioridade para alguém.
O fim da franquia Blade coincidindo com a ascensão de Anoitecer não foi o único motivo, porém. Os direitos do personagem também tiveram peso decisivo. A New Line Cinema produziu os filmes originais, mas em 2011 os direitos de Blade retornaram oficialmente à Marvel Studios. Esse pode ter sido o verdadeiro divisor de águas: com o personagem de volta às mãos do estúdio, fazia sentido guardá-lo para um projeto próprio.
Um roteiro já estava em desenvolvimento desde 2013, e as conversas com Ali começaram em 2016. O anúncio de 2019 pareceu uma surpresa repentina, mas, na verdade, vinha sendo construído nos bastidores havia anos.
Um futuro ainda incerto
Com o MCU decolando a partir de 2008, a Marvel provavelmente já estava de olho no retorno dos direitos. É bem possível que o estúdio só tenha levado o projeto a sério a partir de 2013, quando pôde concentrar esforços no personagem sozinho.
Some-se a isso o enfraquecimento da própria Anoitecer como franquia, com a Marvel priorizando fazer as coisas em seus próprios termos. Ainda assim, a espera continua. Em outubro de 2024, Blade foi oficialmente retirado do calendário de lançamentos, e Ali não está mais vinculado ao papel. O ator, aliás, já seguiu em frente, aproveitando parte da preparação física do projeto em outro longa de ação.
Em 2016, a Marvel tinha planos concretos para Blade. Talvez ainda tenha. Resta esperar para ver qualquer um deles se materializar algum dia.






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