Quando ‘Boruto’ começou, muita gente já torceu o nariz. Afinal, continuar a história de ‘Naruto’ parecia impossível sem gerar comparação o tempo inteiro. Só que mesmo com todos os problemas, o mangá encontrou uma identidade própria. E isso aconteceu justamente porque ele arriscou! O Boruto não era um Naruto 2.0. O moleque era mimado, arrogante, quebrava expectativas e o roteiro usava isso como uma metalinguagem muito inteligente. Enquanto o Naruto queria ser reconhecido, o Boruto já nasceu reconhecido demais. E tudo subverteu ainda mais em ‘Boruto Two Blue Vortex’.
E apesar das críticas, ‘Boruto: Two Blue Vortex’ vinha conseguindo acertar em cheio em vários momentos recentes. O clima mais sombrio, os vilões absurdamente perigosos, a evolução da Himawari, o desenvolvimento da Sarada e até personagens secundários finalmente ganhando espaço fizeram muita gente voltar a acompanhar o mangá. Só que agora… aconteceu talvez o maior tiro no pé da obra até agora. E pior: foi justamente no momento em que o mangá tinha a chance perfeita de criar consequências reais.
Inojin Finalmente Tinha Ganhado Um Momento Histórico
Pouca gente esperava que o Inojin fosse virar um dos destaques do arco atual. Mas aconteceu! E aconteceu de um jeito MUITO inteligente. Durante a luta contra Mamushi, o personagem mostrou uma estratégia absurda ao perceber que o inimigo funcionava como uma espécie de consciência coletiva. Ou seja: apesar de existir como um exército inteiro, todos compartilhavam a mesma mente.
Então o Inojin usou a técnica de transferência mental de um jeito genial. Ele assumiu parcialmente o controle do vilão e obrigou Mamushi a destruir os próprios olhos. O plano também afetou o próprio Inojin, já que ele estava conectado ao corpo do inimigo naquele momento. Por causa disso, o ninja teve os olhos perfurados junto. E aí parecia que ‘Boruto TBV’ finalmente teria coragem de fazer algo realmente impactante.
O mais interessante é que isso abriria um caminho completamente novo para o personagem. O Inojin é artista, sensorial e extremamente estratégico. Ele poderia virar uma espécie de “Demolidor ninja”, dependendo dos sentidos e da percepção ao redor para lutar. Ou até algo parecido com a Toph de ‘Avatar’, transformando sua limitação em um novo tipo de força. Isso teria criado um personagem ÚNICO dentro da franquia.

O Mangá Criou Peso… e Depois Jogou Fora
O problema veio logo depois. Porque no capítulo seguinte, o Inojin simplesmente aparece COMPLETAMENTE curado graças aos poderes milagrosos da Himawari. E isso destrói boa parte do impacto da luta. Não porque a cura seja impossível dentro do universo de ‘Naruto’, mas porque o próprio mangá tinha acabado de estabelecer o contrário!
No mesmo capítulo em que a Sarada demonstrou sinais graves de cegueira por causa do Mangekyou Sharingan, a Himawari NÃO conseguiu restaurar totalmente a visão dela. Ou seja: o roteiro deixou implícito que existiam limites para essa cura absurda. Então naturalmente os fãs imaginaram que o Inojin ficaria cego permanentemente. Era o que fazia sentido narrativamente. Era o que dava consequência para o combate.
Só que aí o mangá simplesmente voltou atrás. E isso passa uma sensação muito estranha. Parece até que os autores ficaram com medo de assumir o impacto daquela decisão. E isso é um problema enorme quando o mundo está cada vez mais perigoso e os vilões supostamente estão em um nível absurdo.
E olha que o caso do Inojin teria sido PERFEITO justamente porque não mataria o personagem. Pelo contrário! Ele continuaria vivo, relevante e ainda ganharia uma nova camada narrativa. Seria um amadurecimento absurdo para alguém que muita gente nunca levou tão a sério dentro da franquia. O drama dele aprendendo a viver sem enxergar poderia render momentos emocionantes demais.

A Himawari Acabou Virando Uma “Resolução Fácil”
A Himawari está absurdamente poderosa em ‘Boruto TBV’. E isso é muito legal! Ver ela crescendo e se tornando relevante é algo que os fãs esperavam há anos. Só que existe um problema quando um personagem começa a resolver tudo fácil demais: o roteiro perde tensão. Basicamente vira ‘One Piece’.
Porque agora sempre vai existir aquela sensação de “relaxa que a Himawari cura depois”. E isso é perigosíssimo para uma história shonen. Principalmente em uma obra que já luta contra críticas envolvendo falta de impacto emocional em algumas decisões.
Claro, dá para argumentar que o Inojin já esperava sobreviver justamente porque estava lutando perto da Himawari. Isso faz sentido dentro da lógica do plano. Mas narrativamente a sensação é de oportunidade desperdiçada. O mangá tinha nas mãos a chance de criar um dos momentos mais ousados da franquia inteira… e preferiu voltar ao status quo.
‘Boruto’ Ainda Tem Muito Potencial… Mas Precisa Parar de Recuar
O mais frustrante é que ‘Boruto: Two Blue Vortex’ continua tendo MUITAS ideias boas. O clima está mais pesado, os personagens amadureceram e o nível das ameaças aumentou absurdamente. O problema é que o mangá parece hesitar justamente quando precisa assumir riscos maiores.
E isso é triste porque o arco do Inojin poderia ter virado um divisor de águas. Seria o tipo de consequência que faz os fãs lembrarem daquela luta por anos. Algo parecido com o impacto emocional que clássicos como ‘Naruto’, ‘Hunter x Hunter’ e até ‘Jujutsu Kaisen’ conseguem causar quando deixam marcas permanentes nos personagens.
No fim das contas, o capítulo ainda é divertido e o plano do Inojin continua sendo MUITO inteligente. Só que fica aquele gosto estranho de oportunidade perdida. Porque às vezes uma história não precisa matar personagens para criar peso. Basta ter coragem de mudar eles para sempre.





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