Baseado em fatos reais? A inspiração por trás de Breaking Bad

Andre Luiz

Considerada uma das maiores séries da história da televisão, Breaking Bad construiu uma trama tão crível e impactante que levantou uma dúvida frequente entre os fãs: a história seria baseada em fatos reais?

Afinal, a premissa de um professor de química que mergulha no submundo do crime para custear seu tratamento de câncer soa ao mesmo tempo dramática e assustadoramente plausível.

Afinal, a série aconteceu de verdade?

A resposta curta é não. Apesar de personagens como Walter White e Jesse Pinkman parecerem extremamente reais, a trama é uma ficção criada por Vince Gilligan.

Curiosamente, alguns elementos da série acabaram encontrando eco no mundo real depois de sua exibição, como casos noticiados de professores de química envolvidos com o crime. No entanto, esses episódios são posteriores à série e não serviram de base para ela.

A verdadeira origem da história, na realidade, é bem mais pessoal e curiosa. Tudo começou com a sensação de uma crise de meia-idade do próprio criador.

Uma crise de meia-idade e um filme inusitado

Em entrevista à rádio americana NPR, Gilligan explicou que a ideia surgiu quando ele estava prestes a completar 40 anos. Segundo o roteirista, esse sentimento se refletiu diretamente no protagonista.

“Acho que o Walter White, ao menos nas primeiras temporadas, é um homem que sofre, talvez, com a pior crise de meia-idade do mundo.”

Walter White morreu mesmo no final de Breaking Bad?
Walter White – Reprodução/AMC/Sony Pictures

Outra inspiração inusitada veio do cinema japonês. O clássico Viver (Ikiru), dirigido por Akira Kurosawa, conta a história de um homem que, ao descobrir uma doença terminal, decide construir um playground para crianças.

As duas obras compartilham a mesma reflexão sobre como uma pessoa decide gastar seu tempo restante na Terra, ainda que sigam por caminhos opostos: enquanto o filme é agridoce, a série é sombria e perturbadora.

De professor pacato a vilão clássico

Talvez a inspiração mais famosa esteja no célebre resumo que Gilligan usou para vender a ideia: ele queria transformar o Mr. Chips no Scarface. A referência une o gentil e respeitável professor da novela Adeus, Mr. Chips ao temível personagem vivido por Al Pacino em Scarface, traçando o arco de transformação do protagonista.

O vilão Tony Montana, no entanto, não foi o único gângster a influenciar a criação de Walter White. Gilligan também comparou o declínio moral do personagem ao de Don Corleone, de O Poderoso Chefão, e reconheceu a enorme influência de Família Soprano, série que pavimentou o caminho para os anti-heróis na TV.

A trajetória dos vilões, aliás, é um dos pontos fortes da produção, como mostra esta lista com os antagonistas mais cruéis de Breaking Bad.

A genialidade de Bryan Cranston e o nome Heisenberg

Se Walter White nasceu de várias referências fictícias, foi a atuação de Bryan Cranston que o transformou em um dos maiores anti-heróis da televisão. O ator foi escalado após um episódio da série Arquivo X e ainda trouxe inspirações próprias, baseando parte do personagem em seu próprio pai, um homem de grandes ambições não realizadas.

Por fim, há a origem do icônico alter ego do protagonista. O nome Heisenberg é uma referência a Werner Heisenberg, cientista vencedor do Nobel, conhecido pelo Princípio da Incerteza. A escolha não poderia ser mais simbólica, refletindo o caos e a imprevisibilidade que tomam conta da vida de Walt.

Onde assistir e o futuro de Gilligan

Com cinco temporadas exibidas entre 2008 e 2013 e aclamação quase unânime da crítica, Breaking Bad permanece como leitura obrigatória para os amantes de boas séries. No Brasil, a produção completa está disponível no catálogo da Netflix.

Para quem sente saudade do estilo do criador, vale ficar de olho em seus novos projetos.

Recentemente, Vince Gilligan lançou uma nova série de ficção, conforme detalhamos na matéria sobre Pluribus, o novo trabalho do criador de Breaking Bad, provando que seu talento para construir personagens complexos continua mais vivo do que nunca.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA