A Casa do Dragão: uma das mortes foi provocação a GRRM?

Andre Luiz

O encerramento da terceira temporada de A Casa do Dragão trouxe uma das mortes mais esperadas e dramáticas de toda a série, dentro e fora da tela. Isso porque alguns sinais presentes na trama podem indicar uma pequena alfinetada da produção em George R. R. Martin, autor de Fogo e Sangue e criador do universo de Game of Thrones.

O elemento que atravessa a temporada

As borboletas aparecem em momentos-chave. Helaena Targaryen observa lagartas se transformando fora de época, num detalhe que parecia apenas poético. O encerramento amarra tudo: Alicent Hightower é envolvida por um bando delas no caminho de volta à capital, e entende sem palavras que algo terrível aconteceu com a filha.

O detalhe não vem do livro. Aquela construção é invenção da série, sem correspondência em Fogo e Sangue.

De onde a imagem teria vindo

A origem estaria num texto do autor. George R.R. Martin publicou no blog pessoal um post hoje apagado, intitulado com um alerta sobre borboletas.

Ele criticava mudanças na adaptação. O argumento comparava alterações pequenas ao efeito borboleta, conceito popularizado por um conto de Ray Bradbury, sugerindo que ajustes menores geram consequências grandes adiante.

Há um detalhe curioso naquela leitura. O autor mencionou borboletas maiores e mais tóxicas por vir, e a série mostra justamente lagartas que se alimentam de folhas venenosas.

Helaena Targaryen – Reprodução/HBO

O que a produção mudou

A principal alteração envolve um personagem cortado. O filho mais novo de Helaena não aparece na adaptação, apesar de constar dos planos iniciais. Aquilo teve efeito em cadeia, já que a ausência dele alterou uma sequência marcante da segunda temporada e mudou o contexto do desfecho da personagem.

A série buscou outro caminho. O cativeiro prolongado de Helaena passou a cumprir a função narrativa que o livro atribuía a outro acontecimento.

O histórico do atrito

A relação entre autor e adaptação nunca foi simples. Nossa cobertura já registrou que ele apontou publicamente cenas de que não gostou na série original, prática que repetiu ao longo dos anos. O escritor também já afirmou que os livros terão desfecho distinto do televisivo, no caso da série original, deixando clara a separação entre as duas obras.

O livro adaptado tem formato de crônica histórica, com versões conflitantes dos acontecimentos, o que abre espaço para escolhas da produção. O formato é justamente o centro do debate. Ele permite liberdade grande à adaptação, e é essa liberdade que Martin vem questionando publicamente.

A quarta e última temporada de A Casa do Dragão chega em 2028. Ainda não se sabe quais outras mudanças a produção fará em relação ao material de origem.

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