A guerra dos Targaryen ganhou um antagonista à altura. O episódio mais recente de A Casa do Dragão transformou Ormund Hightower no verdadeiro vilão da temporada. A construção do personagem, aliás, se afasta bastante do material original de George R.R. Martin.
O que aconteceu em Tumbleton?
Após tomar a região, o lorde instalou sua base na sede local e permitiu que seus soldados se alojassem à força nas casas dos moradores. A situação, previsivelmente, saiu do controle.
Um dos homens invadiu a residência de Kat, esposa de Hugh, o Martelo, tentou agredi-la sexualmente e quebrou o braço de uma familiar durante a confusão. Levado ao conhecimento do comandante, o caso teve um desfecho surpreendente.
O significado da punição
Para espanto geral, o nobre ficou do lado dos moradores. Ele ordenou que quebrassem o braço do soldado e determinou ainda que o homem fosse castrado, sentença conhecida em Westeros por um termo normalmente usado para animais (“gelded”, em inglês).
Vale o contexto histórico. Naquele universo, a castração aparece como pena aplicada a crimes graves, e a franquia já mostrou personagens marcados por ela, como Varys e os Imaculados. Nos livros, porém, não há qualquer registro de Ormund adotando esse tipo de punição.
O verdadeiro objetivo
A crueldade, entretanto, tinha um propósito frio. O gesto funciona como encenação, projetando a imagem de um governante justo, que não tolera abusos e merece confiança, em contraste direto com a figura que ele tenta pintar de Rhaenyra.
A máscara cai no fim do capítulo. O lorde manteve o irmão de Kat como prisioneiro e forçou o príncipe Daeron a executá-lo, revelando seu plano real de transformar o rapaz no novo rei, mesmo sendo ele mais novo que Aegon e Aemond.

Aqui mora a ambição de Ormund. Criado em Vilavelha sob a tutela dele, e não em Porto Real como os irmãos, o jovem Daeron seria supostamente mais decente e adequado aos olhos da Fé dos Sete. A ironia é que justamente o tutor o afasta desse caminho.
Na prática, seria a combinação perfeita para o nobre Hightower. Ele teria alguém controlável, com o sobrenome certo e, principalmente, com um dragão, ingredientes suficientes para governar os Sete Reinos em nome próprio.
Por que isso importa?
A série praticamente inventou esse vilão. No livro, o personagem quase não tem desenvolvimento, liderando um exército e participando de algumas batalhas, sem maiores detalhes. Não é a primeira vez, porém, que a produção altera elementos consagrados da obra de Martin para fortalecer a narrativa.
O resultado mistura a frieza política de Tywin Lannister com a crueldade de Ramsay Bolton. Não à toa, a produção sempre soube construir antagonistas magnéticos, ainda que isso incomode até quem trabalha nela. E você, o que achou do novo vilão? Conte nos comentários!






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