A Casa do Dragão e o mistério dos ovos de dragão

Andre Luiz

A HBO acaba de mexer em um dos maiores enigmas de Game of Thrones, e o fez sem entregar nenhuma resposta pronta. O sexto episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão foi ao ar no domingo (26).

Nele, Alys Rivers revela a Aemond Targaryen um baú com cinco ovos de dragão escondidos em Harrenhal. Para o público, a cena funciona como uma possível pista sobre a origem dos ovos de Daenerys Targaryen.

Na prática, porém, ela deixa o mistério ainda mais denso.

Alys Rivers e Aemond em Harrenhal

O príncipe caolho segue se recuperando no castelo amaldiçoado e insiste em partir atrás de Vhagar. Alys argumenta que a dragoa pode estar longe justamente para desviar a atenção de Rhaenyra. Quando um garoto do estábulo reconhece Aemond, a curandeira resolve o problema da forma mais brutal possível.

Só então ela abre o baú e apresenta sua verdadeira carta na manga.

Segundo a personagem, os ovos foram postos por Dreamfyre, a dragoa hoje ligada à rainha Helaena. A postura teria acontecido quando a montaria pertencia à princesa Rhaena Targaryen, neta de Aegon, o Conquistador, e irmã mais velha do rei Jaehaerys I. Rhaena se recolheu a Harrenhal após a morte da filha, Aerea, e os ovos teriam ficado ali desde então.

Um deles esquenta na mão de Aemond, sinal clássico de que a criatura dentro dele ainda vive.

A teoria de Daenerys

Durante anos, os fãs apostaram em uma explicação específica para os ovos que se tornariam Drogon, Rhaegal e Viserion. Em Fogo e Sangue, Elissa Farman, amiga e amante de Rhaena, rouba três ovos de dragão e foge para Pentos. A coincidência numérica alimentou a hipótese de que aqueles seriam os mesmos ovos entregues a Daenerys séculos depois, em Essos.

Drogon, Rhaegal e Viserion ainda filhotes – Reprodução/HBO

Agora, a série cria um segundo grupo de candidatos, e ele nem sequer existe no livro. Vale lembrar que a segunda temporada já havia mostrado outra ninhada, com quatro ovos enviados para longe e nunca mais mencionados. Soma-se a isso o fato de Dreamfyre ter posto várias ninhadas ao longo da vida. Portanto, em vez de encerrar o debate, a produção multiplica as possibilidades.

GRRM ja avisou: não há resposta definitiva

Essa ambiguidade não é acidente de roteiro. O criador de As Crônicas de Gelo e Fogo sempre desestimulou leitores a tratar a teoria de Elissa Farman como fato consumado. Em comentário publicado em seu blog pessoal em 2018, ele foi direto ao ponto:

Há algumas passagens, cenas e sugestões no texto a partir das quais é possível extrapolar certas coisas e criar teorias, mas, em casos como Valíria e os ovos de dragão, são todas respostas possíveis, e não algo definitivo.

Ou seja, a série está em sintonia com a intenção original do autor. Ao adicionar mais uma pista plausível, os roteiristas devolvem o assunto ao terreno da lenda, que é onde ele sempre esteve.

O que a revelação significa?

No curto prazo, o baú transforma Alys em peça central do tabuleiro. Ela deixa de ser a curandeira misteriosa e passa a oferecer algo que nenhum aliado ofereceu a Aemond: um futuro fora da disputa entre verdes e negros.

Leitores atentos também lembram que a personagem reaparece em relatos posteriores do livro cercada de rumores sobrenaturais. A cena pode preparar esse desdobramento, ainda que a produção não tenha confirmado nada.

Não é a primeira vez que a produção reescreve detalhes estabelecidos em Game of Thrones. Harrenhal, aliás, já havia servido para explicar um enigma antigo da franquia. Enquanto isso, a Dança dos Dragões segue rumo ao desfecho trágico antecipado na série original.

Novos episódios chegam semanalmente ao HBO Max.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA