A obra de Lewis Carroll segue rendendo. Segundo o site Deadline, o estúdio Aniventure desenvolve um longa de animação centrado no Chapeleiro Maluco.
O personagem vem de Alice no País das Maravilhas, e a produção é para a Amazon MGM Studios. A direção fica com Scott Mosier, e a produção com Adam Nagle. Detalhes de enredo seguem em sigilo, e não há data de estreia.
Quem assume a direção
O nome pode confundir quem acompanha cinema independente. Mosier construiu carreira ao lado de Kevin Smith desde O Balconista, de 1994. Ele atuou como produtor, montador e até ator em títulos como Barrados no Shopping e Dogma.
Convém acrescentar um dado que costuma ficar de fora dessas notas. Ele também codirigiu O Grinch, animação de 2018 baseada em outro clássico infantil. É essa experiência, e não a fase independente, que explica a escolha.
O estúdio por trás do projeto
A Aniventure foi fundada em 2013. Desde então, produziu mais de uma dezena de animações, entre elas Klaus, bem recebido em 2019. O histórico recente, porém, acende um alerta.
A adaptação animada de A Revolução dos Bichos, lançada há pouco, arrecadou cerca de 6,2 milhões de dólares diante de um orçamento estimado em 35 milhões. A recepção crítica também foi majoritariamente negativa.

O contraste entre esses dois resultados resume o momento do estúdio. Ele tem no currículo uma animação de prestígio e um tropeço comercial recente, e o projeto do Chapeleiro chega justamente como chance de recolocar a casa nos trilhos.
Por que tanta Alice ao mesmo tempo
Aqui está a explicação que raramente aparece nas manchetes. O livro de Carroll é domínio público, o que permite a qualquer estúdio adaptá-lo sem pagar direitos autorais. Não é coincidência, portanto, que vários projetos surjam ao mesmo tempo.
A Universal, por exemplo, prepara um filme em live-action com Sabrina Carpenter na produção e no elenco, escrito e dirigido por Lorene Scafaria. O Japão já entregou a primeira adaptação em formato de anime, exibida nos cinemas de lá. E a própria Disney já havia derivado a história para uma série infantil de confeitaria.
Há um efeito colateral nisso tudo. Quando várias produções disputam o mesmo material ao mesmo tempo, o público tende a saturar rápido. A vantagem do projeto da Amazon é justamente não recontar a jornada de Alice pela enésima vez, e sim olhar para um coadjuvante.
O peso do personagem escolhido
A aposta no Chapeleiro faz sentido comercial. Ele é uma das figuras mais reconhecíveis da história, mesmo entre quem nunca leu o livro. São mais de um século de versões em teatro, cinema, televisão e games.
A interpretação mais lembrada pelo grande público é a de Johnny Depp, no filme de 2010 e na continuação de 2016. Os dois longas nasceram do universo visual de Tim Burton, parceiro frequente do ator. O diretor, aliás, seguiu adaptando personagens excêntricos para novas gerações, como fez ao levar a Família Addams para o streaming.
Há um detalhe curioso nessa escolha. Carroll nunca deu ao personagem uma origem, um nome próprio ou uma explicação para o comportamento dele. Sobra espaço, portanto, para o novo filme inventar praticamente tudo.






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