Remedy quer transformar Control em franquia, mas isso depende do sucesso de Control Resonant

Vinicius Miranda

Diretor de arte de “Control Resonant” revelou que a troca de protagonista sempre foi planejada e que o estúdio já pensa em mais histórias. Porém, tudo depende do sucesso da sequência.

A Remedy Entertainment não quer que “Control” seja apenas uma duologia. O estúdio finlandês já está planejando o futuro da franquia para além de “Control Resonant”, a sequência prevista para 24 de setembro de 2026. Em entrevista ao Insider Gaming, o diretor de arte Elmeri Raitanen confirmou que a equipe trabalha com a visão de uma franquia de longo prazo. Contudo, tudo depende de um fator essencial: o jogo precisa vender bem.

Dylan Faden sempre foi o plano

Dylan Faden em Control Resonant – Divulgação / Remedy Entertainment

Uma das mudanças mais visíveis de “Resonant” é a troca de protagonista. Jesse Faden, que liderou o primeiro jogo em 2019, dá lugar ao irmão Dylan Faden. Segundo Raitanen, isso não foi uma decisão de última hora. Era o plano desde o início.

O diretor de arte explicou que “Control” foi concebido como um projeto de “mundo primeiro”. Diferente de franquias como “Alan Wake” ou “Max Payne”, que levam o nome do protagonista, “Control” carrega o nome do universo. A construção de mundo e a narrativa maior têm prioridade sobre o ponto de vista específico de um personagem.

Em 2019, a história era de Jesse. Agora, é a vez de explorar o outro lado da moeda dos irmãos Faden. Porém, como Raitanen observou, uma moeda só tem dois lados. E isso levanta a pergunta natural: o que vem depois?

“Vamos torcer para irmos bem”

Quando questionado sobre o futuro pós-“Resonant”, Raitanen foi otimista, mas cauteloso.

Esse sempre foi o plano, e vamos torcer para que a gente vá bem o suficiente para poder contar ainda mais histórias no universo de Control.

A fala revela duas coisas. Primeiro, que a Remedy já tem ideias para novas histórias dentro do universo. Segundo, que a viabilidade dessas histórias está diretamente ligada ao desempenho comercial de “Resonant”.

Essa dependência não é infundada. O primeiro “Control” levou anos para alcançar 6 milhões de cópias vendidas, um número respeitável, mas que não coloca o jogo no mesmo patamar de blockbusters da indústria. Além disso, o spin-off multiplayer “FBC: Firebreak”, lançado em 2025, teve desempenho abaixo do esperado, o que pode ter gerado cautela dentro do estúdio e de sua parceira editorial.

Um universo que se expande

Apesar da pressão comercial, a Remedy já deu passos concretos para expandir o universo de “Control”. “FBC: Firebreak” foi o primeiro spin-off da franquia, oferecendo uma experiência cooperativa dentro do Oldest House, a sede do Federal Bureau of Control.

Além disso, o Remedy Connected Universe (RCU) conecta “Control” a “Alan Wake” e seus respectivos universos. “Alan Wake 2” (2023) já trouxe referências cruzadas, e “Resonant” promete aprofundar essa interconexão. Para os fãs que acompanham os jogos da Remedy como peças de um quebra-cabeça maior, cada novo título adiciona uma camada de significado.

A abordagem de “mundo primeiro” é o que torna essa expansão possível. Se o universo não dependesse de um único protagonista, ele estaria limitado à trajetória de Jesse. Com o design atual, qualquer personagem pode carregar uma história. E o universo de “Control”, com suas Objetos de Poder, Eventos de Poder Alterado e dimensões paralelas, oferece material criativo quase inesgotável.

O que precisa dar certo

“Control Resonant” chega em 24 de setembro de 2026 para PS5, Xbox Series X|S e PC. Raitanen mencionou que o marketing desta vez será mais forte do que o do primeiro jogo, que sofreu com pouca visibilidade no lançamento apesar da qualidade.

O cenário é favorável. “Alan Wake 2” foi aclamado pela crítica e reconhecido nos maiores prêmios da indústria, o que elevou o perfil da Remedy como estúdio. Se “Resonant” conseguir capitalizar essa boa vontade e entregar uma experiência à altura, as chances de uma franquia de longo prazo aumentam consideravelmente.

O dilema criativo da Remedy

A Remedy sempre foi um estúdio reconhecido pela qualidade artística. “Max Payne”, “Alan Wake”, “Control” e “Alan Wake 2” são todos jogos aclamados pela crítica. O problema histórico do estúdio nunca foi talento. Foi escala comercial.

Transformar “Control” em uma franquia de longo prazo exige que “Resonant” quebre esse padrão. O jogo precisa não apenas agradar os fãs existentes, mas atrair um público novo que talvez não tenha jogado o original de 2019. Com sete anos de distância entre os dois títulos, reconquistar a atenção do mercado é um desafio real.

Se der certo, a Remedy terá algo raro: um universo ficcional expansível, com potencial para múltiplos jogos em diferentes formatos. Se não der, “Control” pode se juntar a tantas outras franquias que prometiam longevidade e ficaram pelo caminho.

A resposta chega em setembro. E a Remedy parece saber que essa pode ser a partida mais importante que já jogou.

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