Marvel leva organização maligna do MCU aos quadrinhos

Andre Luiz

Pouco antes da estreia de Homem-Aranha: Um Novo Dia que aconteceu nesta semana, a Marvel Comics resolveu mexer justamente na organização que ganhou fama de antagonista no MCU.

O Departamento de Controle de Danos vai às páginas em O Espetacular Homem-Aranha número 33, assinado por Joe Kelly e Ed McGuinness. E, desta vez, ele aparece como se fosse time de mocinhos.

O que acontece na edição

A cena começa com o herói tentando conter o vilão Halloween em um prédio residencial. Enquanto ele lida com o inimigo, precisa também impedir que um foguete atinja a construção. É nesse momento que três agentes voadores aparecem e assumem parte do trabalho.

Resolvida a confusão, o grupo se apresenta ao Homem-Aranha e agradece pela ajuda. A dinâmica é de colegas de profissão, e não de perseguidores.

Uma policia privada com tecnologia da S.H.I.E.L.D.

O líder da equipe é o agente Griffyn. Ele explica que o time faz parte de um programa piloto idealizado pelo prefeito Luke Cage, criado para conter ameaças antes que elas causem estrago. O Controle de Danos tradicional, aquele que só limpa a sujeira depois da briga, continua existindo em paralelo.

O herói não engole a história de imediato. Ele estranha a existência de uma força policial privada equipada com armamento que parece saído do acervo antigo da S.H.I.E.L.D. Griffyn responde com simpatia e mostra o braço mecânico que substituiu o membro perdido em uma missão contra a Hydra.

Griffyn e as forças do Departamento de Controlde de Daos – Reprodução/Marvel Comics

Em seguida, enche o aracnídeo de elogios, dizendo que ele fez mais pela cidade do que os próprios Vingadores. Em seguida, convida o herói para uma operação contra o Tarântula.

O clima de camaradagem, porém, soa forçado. O agente elogia demais, entrega informação de menos e some com a papelada que normalmente acompanha esse tipo de operação. Para quem já leu histórias do herói, o roteiro é conhecido: sempre que alguém insiste tanto em ajudar o Homem-Aranha, costuma haver conta a pagar depois.

No MCU, o orgao nunca foi mocinho

É aí que o leitor fã de cinema levanta a sobrancelha. O departamento estreou em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, filme que também abriu caminho para vários vilões da franquia. Depois disso, o órgão virou sinônimo de perseguição.

Em Ms. Marvel, a agência voltou atrás de outra adolescente com poderes, repetindo o que já havia feito com Peter Parker. Em Magnum, monitorou um sujeito que só queria viver em paz. A lógica exposta nessas produções é sempre a mesma: superpoderosos são tratados como ameaças ou como ativos.

Por que a coincidência chama atenção

Existe também um pano de fundo editorial. Nos quadrinhos atuais, Luke Cage ocupa a prefeitura de Nova York, e criar uma força de resposta rápida é o tipo de decisão que rende conflito com vigilantes. Colocar o Homem-Aranha nesse meio é praticamente garantir atrito futuro.

Na edição, Griffyn insiste que o objetivo é proteger os humanos comuns. A escolha de palavras é o detalhe que deixa parte dos leitores desconfiada, porque separa quem tem poderes de quem não tem. Vale apontar que isso é leitura de quem acompanha, e não revelação da editora.

O material de divulgação do novo filme também indica alguma parceria entre o herói e a organização, o que reforça a impressão de estratégia coordenada entre HQ e cinema. A edição já está nas bancas, e Homem-Aranha: Um Novo Dia está em cartaz desde 29 de julho.

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