Enquanto poucos jogos ainda reservam espaço para mascotes como Mario e Sonic, os anos 90 foram mesmo a era de ouro desse gênero. Novos concorrentes no mercado, como a própria Sony, precisavam de suas respostas a esse tipo de personagem. Foi assim que nasceu um marsupial laranja que completou três décadas de existência nesta semana.
Aquele período viu surgir uma leva enorme de mascotes de plataformas. A lista inclui Spyro, Banjo-Kazooie, Rayman, Gex, Croc, Gover e Bubsy, com jogos que variavam de ótimos a péssimos. Talvez uma das adições mais notáveis do gênero naquela época tenha sido Crash Bandicoot, que estreou no PlayStation há exatamente 30 anos.
Desenvolvido como o mascote oficial do console, Crash viveu um verdadeiro período de sucesso na segunda metade da década. Depois disso, porém, se tornou uma relíquia de sua época, sempre um passo atrás dos rivais. Apesar de ser uma das tentativas mais bem-sucedidas da Sony em criar seu próprio mascote, o destino de Crash sempre foi viver à sombra de seus contemporâneos.
O Mario e Sonic da Sony
Lançado em 9 de setembro de 1996, Crash Bandicoot foi desenvolvido pela Naughty Dog. O personagem sempre foi concebido como uma resposta ao trabalho de empresas como a Nintendo. Os desenvolvedores se inspiraram em jogos como Donkey Kong Country. Eles criaram o personagem para o PlayStation em parte porque a plataforma ainda não tinha um mascote próprio para chamar de seu.
As cores vibrantes e a atitude anárquica de Crash fizeram o personagem se destacar na E3 de 1996. Isso ajudou a garantir que seu primeiro jogo, lançado poucos meses depois, se tornasse um sucesso para o console. Naqueles primeiros anos, Crash parecia uma evolução do arquétipo que Sonic havia ajudado a consolidar. Era um personagem descolado que oferecia uma abordagem mais radical para as plataformas.
Crash parecia uma resposta genuína aos jogos de plataforma que dominavam a época. Seu estilo de jogabilidade funcionava como um meio-termo feliz, misturando o foco de Sonic na velocidade com a abordagem mais cuidadosa de Mario.
O PlayStation fez muito sucesso, e aqueles primeiros jogos de Crash também venderam bem. Até o fim da trilogia original, os três títulos já haviam vendido mais de 8 milhões de cópias em todo o mundo, sem contar spin-offs como Crash Team Racing e Crash Bash. Assim que a Sony adquiriu a Naughty Dog, porém, perdeu o controle direto sobre a propriedade intelectual de Crash Bandicoot.
A Universal Interactive ficou com os direitos e rapidamente transformou Crash num personagem multiplataforma. Suas aventuras chegaram a outros consoles, incluindo, ironicamente, rivais diretos como a própria Nintendo.

Sempre dois passos atrás da concorrência
Mesmo sendo um dos primeiros mascotes da marca PlayStation, Crash Bandicoot nunca conseguiu escapar completamente da sombra dos mascotes que vieram antes dele. Os elementos únicos do design daqueles primeiros três jogos fizeram o marsupial se destacar, mas não demorou muito para que Crash passasse a seguir diretamente os passos de seus rivais.
Crash Team Racing foi apenas mais um dos vários jogos de corrida com mascotes, todos tentando recapturar o sucesso de Mario Kart. Já Crash Bash tentou ser a resposta da Sony a Mario Party, usando uma variedade de minigames para atrair múltiplos jogadores.
A migração para plataformas mais abertas também pareceu parecida demais com o que outras franquias já faziam. Vale notar algo importante: Mario e Sonic nunca realmente saíram do imaginário popular, enquanto Crash sofreu longos períodos de hiato sem lançamentos inéditos.
De muitas formas, a apresentação do personagem rapidamente pareceu datada. A comparação com as qualidades mais atemporais de Mario e Sonic não ajudava. Crash pode não ter enfrentado tropeços tão marcantes quanto o de Sonic the Hedgehog (2006), mas ainda assim, raramente conseguiu gerar o mesmo tipo de nostalgia que outros mascotes despertam.
Títulos modernos como Crash Bandicoot 4: It’s About Time e Crash Team Racing Nitro-Fueled receberam boas críticas. Mesmo assim, os jogos tiveram desempenho comercial abaixo do esperado. Isso acabou travando planos para novos lançamentos. Uma pena, já que Crash sempre teve uma energia bem-humorada. Ela o tornava um contraponto divertido a Mario e Sonic.
Um legado preso aos anos 90
Mesmo em seus melhores momentos, os jogos de Crash Bandicoot nunca conseguiram escapar totalmente da sombra de seus rivais. Personagens posteriores como Jak and Daxter e Ratchet & Clank pareciam versões bem mais distintas do gênero. Diante disso, a ascensão e queda de Crash soa especialmente melancólica.
Acompanhamos o anúncio e primeiro trailer de Crash Bandicoot 4, mas mesmo esforços recentes para renovar a franquia esbarraram nesse mesmo problema de identidade datada. Talvez, se Crash tivesse permanecido na linha de frente da marca Sony, a franquia pudesse ter continuado evoluindo. Isso a manteria relevante para os jogadores até hoje.
Em vez disso, o personagem parece estar completamente preso aos anos 90, e a apenas a eles, como mostrou a chegada de Crash Team Racing Nitro-Fueled ao catálogo do Xbox Game Pass. Ao menos os spin-offs de corrida seguem encontrando uma nova geração de jogadores. O próprio Crash, porém, ainda espera por seu momento de brilhar de novo.






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