Crepúsculo estava certo! Expert crava: vampiros brilham no Sol

Andre Luiz

Durante anos, a franquia Crepúsculo esteve no centro de debates entre fãs de fantasia e terror por apresentar uma versão bastante diferente dos vampiros tradicionais. Entre todas as mudanças introduzidas pela saga criada por Stephenie Meyer, uma delas se tornou alvo frequente de críticas: o fato de seus vampiros brilharem sob a luz do sol.

No entanto, uma análise recente feita por uma especialista em mitologia vampírica sugere que essa característica pode estar mais próxima das lendas originais do que muitos acreditam.

Pesquisadora aponta ligação entre Crepúsculo e os primeiros mitos sobre vampiros

A pesquisadora Dra. Sorcha Ní Fhlainn, professora da Manchester Metropolitan University e especialista em literatura gótica e narrativas de vampiros, participou de uma análise do site ScreenRant, onde analisou diversas produções do gênero.

Ao comentar diferentes representações de vampiros no cinema e na televisão, a acadêmica destacou que a relação dessas criaturas com a luz solar mudou significativamente ao longo dos séculos.

Segundo ela:

“A pele cintilante dos vampiros é uma variação de uma regra narrativa mais antiga.”

A observação chama atenção porque o brilho dos vampiros de Crepúsculo é frequentemente citado como um dos elementos mais controversos da franquia.

Vampiros nem sempre foram vulneráveis ao sol

De acordo com a especialista, a ideia de que vampiros entram em combustão ao serem expostos à luz solar é relativamente recente dentro da cultura popular.

Ela explica:

“Vampiros se desintegrando à luz do sol é, na verdade, uma invenção moderna do cinema.”

As primeiras narrativas folclóricas originárias do Leste Europeu não apresentavam vampiros sendo destruídos pela luz do dia. Em muitos relatos antigos, essas criaturas podiam caminhar normalmente sob o sol.

O comportamento noturno estava mais relacionado à necessidade de esconder hábitos incomuns, como o consumo de sangue, do que a uma vulnerabilidade física causada pela luz solar.

Quando os vampiros passaram a morrer ao amanhecer?

A associação entre vampiros e destruição pela luz do sol ganhou força principalmente graças ao cinema.

Um dos marcos dessa transformação ocorreu em Nosferatu, clássico do cinema mudo lançado em 1922. No filme, o Conde Orlok é destruído após ser exposto aos primeiros raios solares, estabelecendo uma imagem que se tornaria extremamente influente nas décadas seguintes.

Nosferatu em remake de 2024 – Reprodução/Universal Pictures

Posteriormente, produções como a série Buffy: A Caça-Vampiros consolidaram ainda mais a ideia de que vampiros viram cinzas quando permanecem sob a luz do dia.

Atualmente, essa interpretação é tão popular que histórias nas quais vampiros sobrevivem ao sol se tornaram menos comuns.

Outras regras dos vampiros também mudaram ao longo do tempo

A pesquisadora destacou que várias características consideradas obrigatórias nas histórias modernas não faziam parte dos primeiros mitos.

Um exemplo é a necessidade de receber permissão para entrar em uma residência. Essa regra foi popularizada principalmente após a publicação de Drácula, de Bram Stoker, em 1897.

Drácuka Bram Stoker
Gary Oldman como o Drácula de Bram Stoker – Reprodução/Columbia Pictures

Produções recentes continuam adaptando livremente esses conceitos. Em Pecadores, por exemplo, o vampiro Remmick sofre os efeitos da luz solar enquanto busca abrigo, seguindo uma tradição mais próxima das representações modernas.

Ao mesmo tempo, outras características antigas acabaram sendo deixadas de lado, como limitações envolvendo água corrente ou a compulsão por contar grãos espalhados pelo chão.

Crepúsculo preserva elementos presentes nas lendas originais

Embora a saga estrelada por Robert Pattinson e Kristen Stewart tenha introduzido conceitos próprios, a análise da especialista sugere que ela preserva diversos aspectos presentes nas versões mais antigas dos vampiros.

Além da capacidade de caminhar sob a luz do sol, os personagens apresentam habilidades frequentemente associadas às criaturas do folclore, incluindo controle mental, telepatia, sentidos ampliados e capacidades físicas sobre-humanas.

Nesse contexto, o brilho da pele dos vampiros de Crepúsculo surge como uma adaptação criativa que mantém certa conexão com tradições anteriores ao modelo popularizado pelo cinema moderno.

Mitologia vampírica continua em constante transformação

Especialistas destacam que não existe uma única definição universal para vampiros. Ao longo dos séculos, livros, filmes e séries acrescentaram novas regras, removeram outras e reinterpretaram características clássicas.

Esse processo contínuo explica por que produções tão diferentes quanto Eu Sou a Lenda, Entrevista com o Vampiro, Pecadores e Crepúsculo conseguem coexistir dentro do mesmo gênero, mesmo apresentando criaturas com comportamentos bastante distintos.

As observações da Dra. Sorcha Ní Fhlainn reforçam como a mitologia dos vampiros permanece em evolução e mostram que algumas escolhas criativas frequentemente criticadas podem ter raízes mais profundas na tradição folclórica do que aparentam à primeira vista.

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