A nova rodada de cortes atinge diferentes divisões da companhia nos Estados Unidos. O anúncio acontece justamente enquanto ‘Toy Story 5’ se aproxima de US$ 1 bilhão nas bilheterias.
Um contraste difícil marcou a semana em Hollywood. A Disney iniciou uma nova rodada de demissões que atinge algumas centenas de funcionários em diferentes áreas da empresa, e a Pixar foi a mais impactada dentro da divisão de estúdios. A notícia chega no momento em que Toy Story 5 vive um dos maiores sucessos recentes da companhia. Entenda o cenário.
Quem foi afetado
Segundo apurou o site TheWrap, os comunicados foram enviados na manhã de terça-feira, 21 de julho, e alcançaram funcionários de setores corporativos, da ESPN, da divisão de televisão e dos estúdios. No braço de TV, a National Geographic teria sido a área mais atingida.
Em nota, um porta-voz da Disney afirmou que as mudanças fazem parte de uma avaliação contínua sobre como a empresa administra recursos e reinveste em suas operações, diante da evolução do setor. Trata-se, portanto, de um movimento apresentado como reestruturação, e não como resposta a um evento isolado.
O golpe na Pixar
Sediada em Emeryville, na Califórnia, a Pixar foi a mais atingida entre os estúdios. De acordo com as informações divulgadas, esta deve ser a maior redução de quadro no estúdio de animação desde 2024, quando outra leva de cortes ocorreu logo após o sucesso de Divertidamente 2.
Na ocasião, os desligamentos foram atribuídos à retração do mercado de streaming, com o Disney+ reduzindo a demanda por novas produções animadas. Agora, o contexto apontado é outro, ligado principalmente ao desempenho comercial dos filmes originais do estúdio.

A questão dos filmes originais
Vale registrar que essa explicação foi atribuída a uma fonte com conhecimento da situação, e não a um posicionamento oficial da empresa. Segundo essa avaliação, os cortes estariam parcialmente ligados à percepção de que Cara de Um, Focinho de Outro, lançado neste ano, ficou abaixo do esperado.
Dirigido por Daniel Chong, o longa foi bem recebido por crítica e público e arrecadou cerca de US$ 389,5 milhões, com orçamento estimado em US$ 150 milhões, o que o deixaria pouco abaixo do ponto de equilíbrio pelos cálculos usuais de Hollywood. Antes dele, Elio teve produção conturbada e arrecadou aproximadamente US$ 154 milhões em 2025, com orçamento próximo de US$ 200 milhões.

O contraste com ‘Toy Story 5’
O momento chama atenção justamente pelo sucesso da franquia mais rentável do estúdio. Toy Story 5, dirigido por Andrew Stanton, já superou a marca de US$ 957 milhões em bilheteria mundial e caminha para o US$ 1 bilhão.
Na prática, a leitura do mercado é que a companhia busca reduzir custos das produções originais, mantendo a competitividade, enquanto as sequências consagradas seguem sustentando os resultados. Já havíamos analisado essa lógica ao discutir como o desempenho do longa reacendeu conversas sobre um possível sexto filme da saga.

Um cenário mais amplo
Os cortes não são um caso isolado no calendário recente da empresa. No início deste ano, sob a diretriz de integração conduzida pelo CEO Josh D’Amaro, a Disney já havia eliminado cerca de mil posições, incluindo boa parte do departamento de arte da Marvel Studios.
Olhando para frente, o calendário da Pixar segue definido: 2027 terá apenas um longa, Gatto, de Enrico Casarosa, diretor de Luca. Já 2028 deve trazer um projeto original e Os Incríveis 3, como detalhamos ao mapear todos os próximos filmes do estúdio. O momento, porém, é de reorganização e de impacto real sobre centenas de profissionais.




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