Dono de navio viking de ‘A Odisseia’ cobra a conserto da Universal

Cheyna Corrêa

Uma associação sueca acusa a Universal Pictures de não pagar o conserto de um navio viking usado em A Odisseia. O estúdio nega a versão e afirma que quitou todas as faturas. O jornal britânico The Guardian revelou o caso, que outros veículos internacionais repercutiram nos dias seguintes.

A embarcação se chama Glad av Gillberga. Ela pertence à Vikingaleden, organização sem fins lucrativos que administra um centro viking em Värmland, no oeste da Suécia. O grupo reúne cerca de 200 integrantes e mantém uma vila viking e um museu abertos ao público.

O que a associação sueca alega

Segundo a Vikingaleden, o navio passou cerca de seis meses com a produção do filme. Ao voltar, apresentava avarias. O Guardian cita danos na popa e no mastro. Já o The New York Times descreve uma rachadura no casco, partes do cordame para substituir e a necessidade de repintura.

Os voluntários da associação fizeram o reparo por conta própria. Depois, enviaram à Universal uma fatura de aproximadamente US$ 6 mil, algo em torno de R$ 30 mil. O valor cobre apenas os materiais. A entidade decidiu não cobrar pela mão de obra.

Peter Olausson preside a Vikingaleden. Ele disse ao Guardian que o grupo se sente esquecido pelo estúdio. O acordo, segundo ele, previa que a associação faria o conserto e receberia o reembolso depois. Olausson reconhece que a quantia é modesta para Hollywood, mas a considera relevante para uma entidade daquele porte. Um ano após o envio da fatura, afirma, o dinheiro não chegou.

Ao site TMZ, o dirigente sustentou que a Universal pagou somente a taxa de locação do barco. O The Independent estimou esse aluguel em cerca de US$ 41 mil.

A resposta da Universal

O estúdio contesta a acusação. Um porta-voz respondeu a veículos como o The New York Times e o Daily Beast. Segundo ele, os registros internos mostram todas as faturas do Glad av Gillberga quitadas, inclusive as de reparo. O comunicado acrescenta que o estúdio e a produção já procuraram a associação para esclarecer o mal-entendido.

As duas versões seguem inconciliáveis. Nenhuma verificação independente confirmou até agora quais faturas entraram ou não no pagamento. Também não se sabe se as partes chegaram a um acordo depois do contato mencionado pela Universal.

Há ainda divergência sobre o estado atual da embarcação. O Guardian relatou que o barco voltou a navegar. O New York Times, por sua vez, informou que o centro não conseguiu usá-lo neste verão europeu por causa dos danos.

A história do Glad av Gillberga

O navio não nasceu como cenário de cinema. Carpinteiros navais suecos o construíram em 1998 com métodos tradicionais, e a embarcação acumula quase três décadas de viagens reais.

  • Construção: 1998, com técnicas tradicionais de carpintaria naval.
  • Inspiração: um naufrágio de cerca de 1040, encontrado no fiorde de Roskilde, na Dinamarca.
  • Comprimento: 17,5 metros.
  • Travessias: Mar do Norte, Mar Báltico e uma viagem até Newfoundland, no Canadá, no ano 2000.
  • Uso habitual: passeios com escolas e turistas no centro viking de Värmland.

Uma produtora procurou o centro no fim de 2024, de acordo com o The New York Times. Na ocasião, o projeto usava o nome provisório de “Charlie’s Tale”. O navio acabou entrando no filme como uma das escoltas da frota de Odisseu.

O navio principal do longa

O Glad av Gillberga não interpretou a embarcação do protagonista. Esse papel coube ao Draken Harald Hårfagre, réplica norueguesa de 35 metros. A BBC já descreveu o barco como o maior navio viking erguido em tempos modernos.

O capitão sueco Björn Ahlander participou das gravações e comentou o processo à emissora SVT. Segundo ele, a equipe reconstruiu o navio para transformá-lo em uma embarcação da Grécia Antiga. Os profissionais retiraram tendas e todo o equipamento moderno. A tripulação passou a viver em um convés aberto durante os seis meses de filmagem nas ilhas gregas e italianas. Ahlander classificou a experiência como bastante dura.

Reprodução/Universal Pictures

‘A Odisseia’ segue forte nas bilheterias

A disputa apareceu em meio a um lançamento de grande porte. O filme de Christopher Nolan estreou nos cinemas brasileiros em 16 de julho de 2026, um dia antes da abertura nos Estados Unidos. No fim de semana inicial, o longa arrecadou mais de US$ 264 milhões no mundo. A NME apontou o número como a maior estreia do ano entre produções em live-action. O orçamento teria girado em torno de US$ 250 milhões.

A Odisseia adapta o poema épico de Homero e acompanha Odisseu, rei de Ítaca, no retorno para casa após a Guerra de Troia. Matt Damon vive o protagonista. O elenco também reúne Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Robert Pattinson, Charlize Theron e Lupita Nyong’o. Vale rever o panorama completo da produção e o recorde do filme no Rotten Tomatoes. Quem já assistiu pode conferir também a explicação do final do épico.

O que ainda não se sabe

Nenhuma das partes divulgou até agora documentos que sustentem uma versão ou outra. A Universal não detalhou publicamente quais faturas constam como pagas. A Vikingaleden também não apresentou o extrato da cobrança. Enquanto isso, o caso segue como uma disputa de versões entre um estúdio bilionário e uma associação de voluntários no interior da Suécia.

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