A dona de EA Sports FC, Battlefield e The Sims muda de mãos. O comprador é um consórcio liderado pelo fundo soberano saudita, na maior compra alavancada da história.
O mercado de games acordou diferente nesta terça-feira (4). A Electronic Arts concluiu oficialmente sua venda por cerca de 55 bilhões de dólares. Com isso, deixa de ser uma empresa de capital aberto pela primeira vez em mais de três décadas. As ações da companhia pararam de ser negociadas e saem da bolsa Nasdaq, segundo comunicado oficial da própria empresa.
O novo controle está dividido entre três nomes. O PIF, fundo soberano da Arábia Saudita, ficou com a fatia esmagadora, de aproximadamente 93,4%. A gestora Silver Lake responde por cerca de 5,5%. Já a Affinity Partners, firma comandada por Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump, fica com pouco mais de 1%. Os acionistas receberam 210 dólares por papel.
Como funciona uma compra alavancada
Aqui está o ponto que mais preocupa analistas. A operação foi estruturada como compra alavancada, modelo em que os compradores usam bastante dívida para financiar a aquisição. Essa dívida, por sua vez, vai parar no balanço da empresa comprada, e não no bolso dos investidores.
Os números ajudam a dimensionar. Do total, cerca de 36 bilhões de dólares vieram de capital dos compradores, enquanto 20 bilhões correspondem a financiamento bancário comprometido pelo JPMorgan. Na prática, a produtora sai da negociação carregando uma dívida bilionária que antes não existia. Por isso, o negócio é descrito como a maior compra alavancada já registrada.
O que a empresa diz

O discurso oficial é de otimismo. Andrew Wilson permanece como presidente e diretor executivo. Ele afirmou que a companhia entra nesse novo capítulo em posição de força, ao lado de parceiros que compartilhariam a mesma visão. Ele prometeu investimentos ousados e aceleração da inovação para as próximas gerações de jogos.
Do lado dos compradores, Turqi Alnowaiser, executivo do fundo saudita, destacou que o PIF já era acionista minoritário havia mais de cinco anos. Segundo ele, entretenimento e esportes são áreas estratégicas para o fundo, e o consórcio se posiciona como parceiro de longo prazo da gestão atual.
Por que o negócio divide opiniões
A transação vem sendo criticada desde o anúncio, em setembro de 2025. Parte das objeções mira a participação do fundo saudita, alvo recorrente de questionamentos de organizações de direitos humanos. Outra parte aponta os laços políticos da Affinity Partners. Vale registrar que essas críticas partem de setores da imprensa e da comunidade de jogadores, não das empresas envolvidas, que defendem o acordo.
Há ainda a preocupação com quem faz os jogos. Historicamente, operações com alto endividamento tendem a gerar pressão por corte de custos. Nada foi anunciado nesse sentido, e qualquer conclusão agora seria especulação.





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