Assumir um personagem querido nunca é tarefa simples. O cantor sul-coreano Eric Nam deu voz à versão adulta de Aang no primeiro longa-metragem da franquia, Avatar Aang: O Último Mestre do Ar, e contou ao site ComicBook, durante a San Diego Comic-Con, como encarou aquele desafio.
O receio que ele sentiu
A honestidade da resposta chama atenção. Ele descreveu a experiência como intimidadora e um pouco assustadora, justamente pelo tamanho do personagem. A preocupação envolvia várias frentes:
Foi muito angustiante, mas estou feliz por termos chegado onde chegamos, e espero que todo mundo goste e aproveite.
Ele explicou que sentia responsabilidade diante de todos os envolvidos. Fãs, criadores e diretores precisavam ficar satisfeitos com o resultado, e essa expectativa pesava.
A confissão sobre a série original
O trecho mais curioso da conversa veio depois. O artista revelou que não tinha grande familiaridade com a animação antes de participar do teste:
Acho que me apaixonei pela franquia, pela série e pelo universo conforme comecei a fazer o teste para este projeto. Acho que a Jessica e eu provavelmente crescemos por volta da mesma época, quando não tínhamos acesso a Avatar com regularidade. Eu também estava na Coreia, e isso era antes da era do streaming.
A explicação faz sentido histórico. A animação estreou nos anos 2000, quando a distribuição internacional dependia de emissoras locais e o acesso variava bastante de país para país.
Jessica Matten, mencionada por ele, assume a versão adulta de Katara na produção.

O que o filme apresenta
A história se passa anos depois do fim da série original. O grupo reaparece já na vida adulta, enfrentando um inimigo inédito. A maior mudança está no elenco de vozes. Todos os personagens principais receberam intérpretes novos, o que gerou discussão entre os fãs antes mesmo da estreia.
Dave Bautista integra o time como um antagonista criado para o filme. O longa foi lançado diretamente em plataforma, decisão que muita gente contestou diante do desempenho obtido.
Trocas de voz costumam gerar atrito com o público. Basta lembrar da reação ao anúncio de um ator conhecido para dublar um personagem clássico dos games. Aquilo rendeu semanas de piadas antes de o filme sequer estrear.
Vale registrar que a chegada não foi tranquila. O material vazou antes do lançamento oficial, o que reduziu parte da expectativa construída ao longo de três anos de trabalho.
Aquilo não impediu a boa recepção. A produção agradou público e crítica após a estreia formal.
O que a franquia significa por aqui
Poucas animações geram tanto apego no Brasil. A história do garoto que precisa dominar os quatro elementos para deter a Nação do Fogo atravessou gerações e continua rendendo novas adaptações.
A relação com adaptações, porém, é delicada. A tentativa cinematográfica de 2010 segue lembrada como um dos trabalhos mais criticados do diretor M. Night Shyamalan, o que explica parte da desconfiança do público diante de qualquer novidade.
A escalação de um cantor sul-coreano também chama atenção. Ela dialoga com as raízes asiáticas do universo criado por Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko. Aquele mundo sempre bebeu de culturas orientais na construção das nações e das artes de dobra.
Casos assim, aliás, nem sempre terminam mal. Vale lembrar de outra adaptação em que a ausência da voz clássica incomodou parte do público brasileiro, discussão que costuma dizer mais sobre memória afetiva do que sobre qualidade técnica.
O que vem a seguir
O estúdio já prepara o próximo passo. Avatar: Sete Refúgios estreia em 9 de outubro e acompanha um novo protagonista em um mundo devastado, bem depois dos acontecimentos de A Lenda de Korra.
Avatar Aang: O Último Mestre do Ar está disponível no Paramount+. A recepção positiva sugere que a expansão daquele universo apenas começou.





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