Review – Fading Echo é uma joia indie que te envolve com a atmosfera e dublagem

Vinicius Miranda

Entre tantos lançamentos independentes brigando por espaço na Steam, “Fading Echo” encontrou um caminho próprio. O jogo de estreia da Emeteria aposta em transformações aquáticas, quebra-cabeças espertos e uma dublagem brasileira de dar inveja a produções milionárias.

Uma protagonista que vira água em um mundo que se desfaz

Fading Echo – Divulgação / New Tales

Em “Fading Echo”, o jogador controla One, uma jovem que explora as ruínas flutuantes de Corel. Esse mundo fragmentado está se desfazendo por causa da misteriosa Corrupção do Paradoxo. A missão dela é clássica: reunir artefatos capazes de impedir a obliteração total dessa realidade, enquanto viaja entre versões alternativas do mesmo lugar.

O grande diferencial está nas habilidades da protagonista. One desperta poderes elementais logo no início e ganha a capacidade de se transformar em uma esfera de água. A partir da interação com outros elementos do cenário, as possibilidades se multiplicam. Ela vira vapor para planar, magma para incendiar, gosma para saltar mais alto e até uma esfera de “glitch” capaz de teleporte. A fluidez, aliás, define o jogo em todos os sentidos: no desempenho, no combate, nos diálogos e na própria protagonista líquida.

Puzzles no centro, combate como acompanhamento

Fading Echo – Divulgação / New Tales

O material de divulgação pode sugerir uma ação frenética de trocas de elementos em frações de segundo, mas as análises brasileiras apontam outra realidade. Os quebra-cabeças são o verdadeiro coração de “Fading Echo”. Boa parte das lutas pode simplesmente ser ignorada. O jogo chega a premiar com conquistas quem empurra inimigos para os abismos entre as ilhas flutuantes, usando um botão dedicado só para isso.

Nos melhores momentos, a experiência lembra clássicos como “Portal”: a solução nasce primeiro na cabeça do jogador, para só depois ser executada na tela. A recompensa segue a mesma lógica. Caixas escondidas em locais de difícil acesso oferecem muito mais pontos de experiência do que vitórias em batalha. Quem prefere partir para a porrada, porém, também encontra diversão. Uma árvore de habilidades incentiva combinações entre água, lava, resíduos tóxicos e a própria Corrupção.

A dublagem brasileira que rouba a cena

O ponto mais celebrado da versão nacional é a dublagem brasileira. O trabalho foi viabilizado pela Critical Leap, selo de publicação da Nuuvem responsável pelo jogo na América Latina. Carol Valença, a voz do Luffy de “One Piece”, dá vida à protagonista One. Guilherme Briggs interpreta o antagonista Maddock, papel que no original pertence a Matt Mercer, do fenômeno Critical Role.

O elenco ainda conta com Adriana Torres como Vellum, Flávia Saddy como Rahne e Léo Rabelo como Cayrn. Reginaldo Primo completa o time como Bob, um monstro meio galo, meio bolha, com sotaque francês, que resume bem o tom leve da aventura. Para as análises, esse trabalho de localização transforma conversas simples em momentos carismáticos. É esse capricho que estabelece de imediato a identidade do jogo, algo raro em produções independentes desse porte.

Os tropeços de Corel

Nem tudo é perfeito na estreia da Emeteria, estúdio francês ligado à New Tales e formado por veteranos da Activision Blizzard. A principal crítica recai sobre a navegação. Corel é um labirinto tridimensional sem mapa, com áreas visualmente parecidas entre si e atalhos que se revelam caminhos principais sem aviso. A sensação de estar perdido, comparada por críticos ao problema clássico de “Star Wars Jedi: Fallen Order”, cresce conforme a campanha avança.

A trama também acumula conceitos demais em pouco tempo, com excesso de personagens que pouco acrescentam depois de apresentados. No campo técnico, há relatos de quedas ocasionais de desempenho mesmo em PCs potentes. A versão para Steam Deck roda em torno de 30 quadros por segundo com gráficos bastante reduzidos.

Vale a pena?

Fading Echo – Divulgação / New Tales

A campanha dura de 10 a 12 horas, com preço na faixa de R$ 50, sujeito a variação conforme a loja e promoções. Com esse pacote, “Fading Echo” se firma como uma recomendação fácil para quem curte aventuras criativas de ação e puzzle. Há uma demonstração gratuita disponível na Steam para quem quiser testar antes.

Os defeitos existem e impedem o jogo de alcançar todo o potencial que demonstra. Ainda assim, o conjunto de fluidez, polimento e carisma indica o surgimento de um estúdio com futuro promissor pela frente. Para os fãs brasileiros, o capricho inédito com a localização já faz de “Fading Echo” um caso à parte no cenário independente.

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