Fallout 3ª temporada deve abraçar o gênero do faroeste de vez

Vinicius Miranda

A nova fase de “Fallout” no Prime Video promete transformar O Ghoul em um pistoleiro clássico. A jornada do personagem a caminho do Colorado bebe diretamente nas lendas do velho oeste.

A aclamada adaptação de games “Fallout”, do Prime Video, caminha para uma guinada importante em sua terceira temporada. Segundo informações divulgadas pela imprensa especializada, ao menos metade dos novos episódios deve apostar de forma decisiva no gênero faroeste, algo que até agora aparecia apenas como pano de fundo. A mudança coloca o personagem mais querido da série no centro de uma trama que lembra os grandes clássicos do western de Hollywood.

A série sempre flertou com diferentes gêneros, sem se prender a um único conjunto de referências. Contudo, a reviravolta do final da segunda temporada teria aberto caminho para uma jornada de anti-herói em moldes bem específicos. O resultado promete aproximar “Fallout” de uma tradição cinematográfica que atravessou décadas nas telas.

O Ghoul como pistoleiro solitário

Fallout – Divulgação / Amzon

O personagem vivido por Walton Goggins deve embarcar em uma busca pessoal pela própria família. A ideia é que ele atravesse sozinho as terras do sudoeste americano, rumo ao Colorado, como um pistoleiro errante. Esse formato remete diretamente aos melhores anti-heróis do faroeste, figuras que cruzaram desertos e planícies em incontáveis filmes do velho oeste.

Vale lembrar que O Ghoul sempre carregou traços de arquétipo western. Antes da guerra nuclear, Cooper Howard atuava em produções do gênero. Seu visual pós-apocalíptico reforça a ligação, com chapéu Stetson e uma espingarda de tambor batizada de Dom Pedro. Ainda assim, apenas agora a série deve assumir esse DNA de forma plena na caracterização do protagonista.

A terceira temporada também marcaria a primeira vez em que veremos O Ghoul realmente isolado por longos períodos. A roteirista e produtora Geneva Robertson-Dworet teria confirmado esse rumo em entrevista ao site Collider, no início de 2026. A busca pela família devolveria o personagem à solidão que o acompanhou durante os 200 anos em que atuou como caçador de recompensas, antes de conhecer Lucy MacLean.

Nesse sentido, ele deve se comportar mais do que nunca como os ícones criados por Clint Eastwood, entre eles o lendário Homem Sem Nome e o fora da lei Josey Wales. As comparações entre o personagem de Goggins e essas figuras já existiam, mas só agora a história tende a se encaixar de vez nesse molde.

As lendas que inspiram a nova fase

Boa parte da trajetória rumo ao Colorado estaria enraizada nas tradições do western clássico. Tudo indica que os roteiristas ampliaram a história dos jogos justamente para prestar homenagem a obras marcantes do gênero.

A referência mais evidente seria “Rastros de Ódio” (The Searchers), obra-prima de John Ford lançada em 1956. No filme, John Wayne interpreta Ethan Edwards, um veterano da Guerra Civil em busca da sobrinha desaparecida pelo Novo México e pelo oeste do Texas. A semelhança com a missão do Ghoul, que procura a família na mesma região, é difícil de ignorar.

Outra inspiração apontada é a lenda real de Wyatt Earp e Doc Holliday, já dramatizada em diversas produções, com destaque para “Tombstone”, de 1993. Os irmãos Earp e Holliday enfrentaram um grupo de ladrões de gado no célebre tiroteio em O.K. Corral, na cidade de Tombstone, no Arizona. Não por acaso, o Ghoul provavelmente precisará cruzar o Arizona para chegar ao Colorado, exatamente o destino onde Earp e Holliday terminaram suas trajetórias.

Doc Holliday, aliás, compartilha características com o personagem, da doença terminal que o debilitava até o passado de cidadão respeitável transformado pela tragédia familiar. Essas conexões devem ficar mais claras conforme a temporada avança.

Por que a aposta faz sentido

Fallout – Divulgação / Amazon

A mudança de tom representa um movimento ousado, porém coerente com a identidade da série. Desde o início, “Fallout” se distanciou da estrutura dos jogos que deram origem à franquia, criando personagens originais e reformulando elementos centrais do universo. Abraçar o faroeste seria mais um passo nessa direção.

Para os fãs, a proposta tende a funcionar. O velho oeste sempre conversou bem com o imaginário pós-apocalíptico, como mostram games consagrados do tipo Red Dead Redemption. Apostar nesse repertório pode enriquecer a narrativa sem trair o espírito da obra. Além disso, a aposta diferencia a produção de outras adaptações no streaming.

Do ponto de vista de mercado, a estratégia reforça a confiança do Prime Video na franquia. Depois do sucesso da segunda temporada, ampliar o leque de gêneros amplia também o público potencial. Em outras palavras, a originalidade segue sendo o maior trunfo da série.

Nada em “Fallout” parece previsível, e a chegada de elementos do faroeste só promete elevar ainda mais esse apelo. Resta aguardar para ver como essa transformação chega às telas.

E você, está animado para ver O Ghoul como pistoleiro? Deixe sua opinião nos comentários!

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