O chefe da Marvel afirmou que a preparação de Thanos foi menor do que os fãs se lembram. Segundo ele, o novo filme cumpre exatamente o mesmo papel que Guerra Infinita cumpriu em 2018.
A reclamação virou constante nas redes desde a divulgação do primeiro trailer. Parte do público considera que o Doutor Destino de Robert Downey Jr. não recebeu preparação suficiente para assumir o posto de grande vilão em Vingadores: Doutor Destino. Agora, o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, resolveu responder diretamente à crítica durante a San Diego Comic-Con. E a resposta dele foi provocativa.
O argumento de Kevin Feige
Em entrevista concedida ao apresentador Brandon Davis logo após a apresentação do estúdio no Hall H, o executivo sustentou que a memória do público sobre a construção de Thanos está inflada. Segundo ele, o Titã Louco fez pouquíssimo antes de Vingadores: Guerra Infinita.
A construção de Thanos cresceu na cabeça das pessoas ao longo dos anos. Eu me lembro dos memes tirando sarro dele por só ficar sentado numa cadeira. Quando chegamos a Guerra Infinita, dissemos que aquela era realmente a apresentação de Thanos ao público. Era assim que o filme estava construído. É isso que estamos fazendo com o Destino. Doomsday é a apresentação e a história do Destino. Você vai descascando a cebola e aprendendo sobre ele conforme avança. (tradução livre)
Feige listou as aparições anteriores do vilão para reforçar o ponto: ele apareceu sentado em um trono, pegou uma manopla dizendo que faria o trabalho sozinho e gritou com Ronan por uma tela de vídeo. Vale registrar uma imprecisão curiosa, aliás. Diferentes veículos reproduziram a fala com filmes distintos associados a cada cena, sinal de que o próprio executivo misturou as referências ao falar de improviso.
O produtor acrescentou ainda que o filme foi pensado tanto para quem conhece e ama o personagem dos quadrinhos quanto para quem não faz a menor ideia de quem ele seja. Em outro trecho, admitiu não sentir confiança absoluta em nada, dizendo apenas trabalhar duro para entregar um bom resultado.
Onde Feige tem razão

Por mais defensiva que a declaração soe, há bastante verdade nela. As três primeiras fases do UCM foram romantizadas com o tempo, e muitos detalhes se perderam na memória coletiva. A chamada Saga do Infinito, batizada assim apenas retroativamente, nunca foi aquela linha reta de tensão crescente que boa parte dos fãs descreve hoje.
Basta lembrar que existia um debate recorrente na imprensa especializada sobre a Marvel ter um problema com vilões. Antagonistas como Malekith, de Thor: O Mundo Sombrio, Jaqueta Amarela, de Homem-Formiga, e o próprio Ronan eram considerados esquecíveis. A comparação com o Coringa de Heath Ledger e o Bane de Tom Hardy, do universo de Christopher Nolan, pesava contra o estúdio.
O cenário só mudou na terceira fase, com nomes como Zemo, Hela e, sobretudo, o Killmonger de Michael B. Jordan. E com Thanos, claro. Hoje ele é apontado como um dos grandes vilões do cinema de super-heróis, mas uma década atrás era motivo de piada por passar os filmes sentado.
Onde o argumento falha

Ainda assim, a defesa ignora um ponto relevante. Mesmo fora de cena, a ameaça representada por Thanos foi construída ao longo de vários filmes. As duas produções de Guardiões da Galáxia, em especial a segunda, revelaram o quanto ele havia sido cruel com Gamora e Nebulosa, e as marcas psicológicas que deixou nas filhas adotivas.
Além disso, as Joias do Infinito vinham sendo semeadas desde Thor, de 2011. O Destino não conta com esse tipo de pista de decolagem. Sua única aparição foi a cena pós-créditos de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, breve, filmada por cima do ombro e sem uma única linha de diálogo.
Por outro lado, cabe uma ponderação em favor de Feige. O impacto de Thanos sobre Gamora e Nebulosa serviu mais ao desenvolvimento delas do que ao dele, que seguia como um pai terrível fora de quadro. E as Joias funcionavam basicamente como artifícios narrativos acompanhados só pelos leitores mais dedicados. O significado real veio do uso que Guerra Infinita fez desses elementos.
O verdadeiro desafio de Vingadores: Doutor Destino
O que a Marvel realmente deixou de fazer foi outra coisa: amarrar a história do Destino a outros personagens do universo, sobretudo ao Quarteto Fantástico. O vilão e Reed Richards protagonizam uma das rivalidades mais antigas dos quadrinhos, algo que praticamente não existe na tela até aqui.
Vale lembrar o contexto de bastidores. Até algum momento de 2024, nem Downey nem o Destino estavam previstos para estrelar o próximo filme dos Vingadores. Uma reorganização de estratégia mudou tudo, e o que seria mais um encontro de heróis virou o filme do vilão. Isso ajuda a explicar a pressa percebida pelos fãs.
Portanto, o longa terá de apresentar o personagem e, ao mesmo tempo, explicar em linhas gerais toda a sua história com a primeira família da Marvel. Não é tarefa invejável. Por outro lado, transformar um gigante roxo digital em uma ameaça de proporções operísticas também não parecia fácil em 2018. Vingadores: Doutor Destino estreia em 18 de dezembro.






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