Mais de quatro décadas depois de estrear como um dos maiores vilões do terror, Robert Englund revelou de onde vinha a fúria de Freddy Krueger. Em entrevista ao ScreenRant, o ator contou que se apoiava em um sentimento bem real para entrar no clima do assassino de A Hora do Pesadelo.
Um truque de ator
A revelação surgiu durante a divulgação de seu novo filme de terror, Pinocchio Unstrung. Segundo Englund, além de criar toda uma história para o personagem ao longo dos anos, ele recorria a emoções negativas verdadeiras para soar cruel diante das crianças em cena.
O ator explicou que precisava de um gatilho para ligar a raiva na hora certa. E encontrou esse combustível em uma situação corriqueira do set de filmagem.
Inveja nos bastidores
De acordo com Englund, o motivo era simples. Enquanto ele passava horas coberto de próteses e materiais grudentos, seus jovens colegas de elenco recebiam um tratamento bem mais confortável.
Ele citou nominalmente Heather Langenkamp e Johnny Depp, ambos no primeiro filme da franquia.
Langenkamp e Depp eram mimados o tempo todo pela equipe de maquiagem.
O contraste era gritante. Segundo o ator, enquanto seus colegas ganhavam pequenos ventiladores a pilha para se refrescarem no set, ele era esfregado com pincéis ásperos e produtos pegajosos para brilhar sob a luz.
Aos risos, Englund contou que chegava a brincar pedindo um ventilador para si. No fim das contas, porém, transformou aquele incômodo em matéria-prima para a atuação, algo que, segundo ele, se tornou quase automático com o tempo.

Uma técnica antiga do cinema
O intérprete comparou o método a um recurso clássico das gravações. Ele lembrou de como, no passado, alguns atores pensavam em momentos tristes para conseguir chorar diante das câmeras.
Para Englund, o princípio é o mesmo. Uma vez estabelecido o gatilho, a emoção passa a vir de forma instantânea, como se fosse um reflexo já treinado.
Um paralelo com o personagem
Curiosamente, o ator enxerga uma conexão profunda entre esse sentimento e o próprio Freddy. Na visão dele, sua inveja da juventude e da beleza dos colegas espelhava o ódio que o vilão sente por essas mesmas qualidades.
Afinal, Krueger não tem futuro e, por isso, persegue justamente os jovens. É uma leitura curiosa que ajuda a entender a intensidade que o personagem ganhou nas telas, marca que o consagrou no gênero.
Um legado no terror
Vale lembrar o peso desse papel na cultura pop. O primeiro A Hora do Pesadelo, dirigido por Wes Craven em 1984, ajudou a definir o subgênero slasher e serviu de trampolim para nomes que viriam a brilhar, como o próprio Johnny Depp, que estreou no cinema justamente ali.
Não por acaso, o vilão segue vivo no imaginário do público até hoje. A franquia se tornou uma das mais influentes do terror, ao lado de outras produções que ajudaram a revitalizar o slasher ao longo das décadas. Pinocchio Unstrung, o novo trabalho de Englund, chega aos cinemas em 24 de julho no exterior, ainda sem data confirmada para o Brasil.





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