Desde a estreia em 1963, os X-Men já passaram por inúmeras reinvenções, e cada nova era enfrenta o mesmo desafio: manter os mutantes da Marvel atuais sem perder o que os tornou icônicos.
Agora, a premiada roteirista Gail Simone, que por muitos anos esteve à frente de Fabulosos X-Men, revelou as regras pessoais que orientam sua escrita. Publicadas em seu perfil no Facebook, elas apostam em aventura, personagens e originalidade, e boa parte do público acredita que poderiam beneficiar toda a linha dos X-Men.
São elas:
1) Conte histórias diferentes das que estão sendo contadas em outros lugares.
2) Seja divertido. É o melhor elenco dos quadrinhos, deixe-os ser legais, divertidos e incríveis.
3) Não foque nos mesmos oito vilões. Traga novidades.
4) Dê a eles um cenário próprio, novo e impactante.
5) Quando possível, explore os cantos mais sombrios do Universo Marvel.
6) Apresente novos personagens com ponto de vista próprio, pessoas que possam ver o Wolverine pela primeira vez e sentir sua admiração.
7) Quando possível, explore a sensualidade dos super-heróis mais sensuais de todos os tempos.
8) Evite ao máximo o clichê de “eles são odiados e temidos mais do que nunca!”.
9) Não tenha medo de partir corações.
10) Honre os clássicos, não os imite para sempre.
11) Lembre-se de que você está escrevendo Fabulosos X-Men e esse é provavelmente o trabalho mais divertido de todos os quadrinhos da Marvel.
12) Repita a regra nº 2 todos os dias.
13) Veja a regra nº 12.
Histórias novas e menos vilões repetidos
Um dos pilares de Simone é fugir da repetição. Em vez de reaproveitar tramas já contadas em outros títulos, ela busca dar a Fabulosos X-Men uma identidade própria, com conflitos inéditos e cantos pouco explorados do Universo Marvel.
A roteirista também defende ampliar a galeria de vilões. Nomes como Magneto, o Senhor Sinistro e as Sentinelas seguem essenciais, mas ela argumenta que a franquia precisa de ameaças novas, capazes de surpreender os leitores.
Diversão e novos olhares
Outro ponto central é o entretenimento. Simone descreve os X-Men como um dos melhores elencos dos quadrinhos e defende que eles sejam divertidos, estilosos e heroicos, em vez de presos a uma tragédia constante.
Ela também quer novos personagens de ponto de vista, capazes de enxergar lendas como o Wolverine pela primeira vez e transmitir esse deslumbramento ao leitor.

Talvez a regra mais comentada seja o desejo de evitar, sempre que possível, o clichê do mutante odiado e temido. A discriminação é parte da identidade dos X-Men, mas Simone sugere que a franquia se apoiou tanto nesse conflito que explorar outros territórios emocionais poderia render histórias mais impactantes.
Não à toa, o assunto ganhou força justamente na nova era From the Ashes, que reorganizou os títulos mutantes.
Respeitar o passado sem ficar preso a ele
A ideia não é substituir as eras queridas pelos fãs, mas construir sobre elas com propostas que dialoguem com os leitores de hoje. Simone reforça, ainda, que os roteiristas não devem temer as consequências emocionais, já que as melhores histórias dos mutantes sempre uniram ação espetacular a momentos de partir o coração.
Esse espírito de renovação não é novo, aliás, e remete a quando a Marvel cancelou e relançou todas as HQs dos mutantes para inaugurar uma fase inédita.
Por que isso importa para a franquia
Embora tenha criado as regras para o próprio trabalho, Simone acabou esboçando uma visão maior para os X-Men. O conjunto incentiva a inovação sem abandonar a tradição, apresenta ideias novas sem ignorar a história e coloca os personagens à frente de fórmulas batidas. Não à toa, o texto ressoou entre leitores que apenas querem se divertir com os mutantes.
Em um momento de transição para a era pós-Krakoa, com a Marvel reorganizando seus títulos, a filosofia de Simone soa como um lembrete oportuno. Caso mais equipes criativas adotassem princípios parecidos, a editora poderia entregar uma linha de quadrinhos ao mesmo tempo reconhecível e empolgante para a próxima geração de fãs.
No fim, a mensagem da roteirista é simples: escrever os X-Men deveria, acima de tudo, ser divertido.





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