Guerra Civil, de Mark Millar e Steve McNiven, chegou às bancas em 2006. A publicação rapidamente se tornou a mais comentada do mercado de quadrinhos por meses. O enredo partiu de um ataque desastroso de um vilão. O episódio resultou na aprovação da Lei de Registro de Superumanos. A partir daí, o Capitão América passou a liderar a resistência contra a lei. Já o Homem de Ferro defendia sua aplicação.
Antes desse conflito, Peter Parker vivia um momento de ascensão. J. Michael Straczynski assumia os roteiros de O Espetacular Homem-Aranha. Ele deixava para trás fases mais fracas da década anterior. O herói finalmente havia se tornado membro efetivo dos Novos Vingadores, depois de anos como reserva.
Para completar, os filmes da Sony o tornavam mais popular do que nunca. Foi justamente nesse auge que Guerra Civil mudou tudo.
Uma máscara removida em um momento decisivo
A amizade entre Peter Parker e Tony Stark rendeu um dos momentos mais marcantes da época. O traje Aranha de Ferro, criado pelo próprio Stark, é um bom exemplo disso. Quando o conflito começou, ninguém duvidava de que o herói ficaria ao lado de Tony. Foi então que, na segunda edição da minissérie, veio a bomba: Peter revelou publicamente ser o Homem-Aranha desde os 15 anos de idade.

Stark convenceu Peter a se revelar como estratégia de relações públicas. O argumento era que isso ajudaria a legitimar o registro. Peter passou a duvidar das táticas do aliado, especialmente após a morte de Bill Foster. Ele decidiu então trocar de lado.
Tia May e Mary Jane precisaram se esconder. Pouco depois, a Tia May foi baleada por um assassino contratado pelo Rei do Crime. Isso levou Peter a vestir novamente o traje preto na aclamada história Back in Black.
Um caminho abandonado antes da hora
O problema é que esse novo status quo durou pouco. A identidade estava revelada e a família Parker fugia de perigo constante, mas logo veio Um Dia a Mais. Nesse arco, Peter e Mary Jane trocam o casamento por um pacto com Mephisto.
O objetivo era salvar a Tia May e apagar a identidade secreta da memória coletiva. A decisão de acabar com o casamento já estava definida desde o início. Ainda assim, a pressa em chegar lá deixou histórias em potencial pelo caminho.

Imagine meses de perseguições. O Mercenário e Mary Tifóide caçando os Parker seria só o começo. Poderia ter existido também um confronto mais longo contra o Rei do Crime, tratado na época majoritariamente como vilão do Demolidor. Um arco inteiro sobre a família em fuga, talvez até envolvendo o Clarim Diário, teria explorado terreno inédito para o Aranha havia anos.
Nunca mais foi o mesmo
O caso reforça como decisões editoriais apressadas podem custar caro criativamente, mesmo quando o destino final já está definido. A Marvel sempre pretendeu extinguir o casamento entre Peter e Mary Jane. O caminho escolhido, porém, reduziu o potencial de uma das fases mais ousadas da história do herói.
Vale lembrar que essa mesma Guerra Civil ganhou uma versão nos cinemas. O desfecho foi bem diferente do material original, como mostra este outro capítulo dos bastidores da adaptação. Fica a lição: às vezes, o caminho mais rápido não é o mais interessante para os personagens.




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