GunZ volta ao Steam sob críticas por suposto uso de IA

Vinicius Miranda

O clássico coreano retornou em versão remasterizada e gratuita, mas dividiu opiniões logo na estreia. Parte da comunidade aponta arte gerada por inteligência artificial.

O retorno de GunZ: The Duel não saiu como muitos fãs imaginavam. A Masangsoft lançou o clássico coreano globalmente no Steam nesta quinta-feira (13), em versão remasterizada e gratuita. Poucas horas depois, porém, a página do jogo já acumulava avaliações mistas, com parte da comunidade acusando a presença de conteúdo gerado por inteligência artificial.

Cabe registrar desde já que a empresa não se pronunciou sobre as acusações até o fechamento desta matéria. As alegações partem de jogadores nas avaliações da plataforma e não foram confirmadas de forma independente.

Um clássico que ficou uma década fora do ar

Gunz The Duel – Divulgação / MAIET Entertainment

Para quem não acompanhou a época, vale o contexto. Lançado originalmente em 2003 pela MAIET Entertainment, GunZ conquistou uma comunidade fiel com sua mistura de espadas e armas de fogo. O grande diferencial era a liberdade de movimento: corrida em paredes, combate aéreo e investidas em alta velocidade.

Essas mecânicas deram origem ao chamado K-Style, um conjunto de técnicas avançadas criado pelos próprios jogadores a partir de combinações rítmicas de teclas. Os servidores oficiais foram desligados em 2013. Desde então, a comunidade se manteve ativa por meio de servidores privados. A Masangsoft adquiriu os direitos do título em 2016.

O que a empresa promete

Segundo o comunicado oficial, o principal atrativo é a eliminação de vantagens pagas. Um representante da Masangsoft afirmou que a vitória depende exclusivamente de habilidade e domínio das mecânicas, sem elementos de pay-to-win. Equipamentos passaram a ser puramente cosméticos, e as armas foram rebalanceadas por tipo e peso.

A lista de novidades inclui gráficos remasterizados, interface modernizada, controle de campo de visão ajustável, marcadores de acerto e novos mapas e modos de jogo. A empresa também investiu em recursos voltados a criadores de conteúdo, com integração ao Medal.tv, recompensas via Twitch Drops e um programa próprio de parcerias.

As queixas da comunidade

Na prática, a recepção foi bem mais dividida. As avaliações negativas se concentram em três frentes principais, todas relatadas por jogadores e ainda sem resposta oficial.

A primeira envolve o suposto uso de inteligência artificial generativa em elementos visuais do jogo, como ícones e materiais de apresentação. A segunda diz respeito a problemas de desempenho, com relatos de instabilidade de conexão e travamentos em elementos do cenário. Por fim, veteranos apontam alterações no equilíbrio do combate que teriam prejudicado mecânicas fundamentais, especialmente as ligadas ao uso de espadas.

Há ainda reclamações sobre a presença de trapaceiros, problema histórico da franquia. No momento da apuração, cerca de 1.800 pessoas jogavam simultaneamente.

Um debate maior que o jogo

A polêmica se insere em uma discussão que ganhou força no setor. Casos recentes mostraram que o público está cada vez mais atento à origem dos materiais visuais em lançamentos, e a reação costuma ser rápida quando há suspeita de conteúdo automatizado.

Vale lembrar que situações assim não são necessariamente definitivas. Ativos podem ser substituídos em atualizações posteriores, e ajustes de desempenho fazem parte da rotina de qualquer lançamento online. A história dos games registra reviravoltas notáveis, como a de No Man’s Sky, que reverteu uma estreia desastrosa ao longo de anos de atualizações.

Por outro lado, o momento é delicado para a Masangsoft. Trata-se do retorno de um título com forte carga afetiva, aguardado por mais de uma década. Assim como aconteceu com outros lançamentos marcados por problemas técnicos na estreia no Steam, a resposta do estúdio nas próximas semanas tende a definir se o público permanece. GunZ: The Duel está disponível gratuitamente na plataforma.

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