Depois de mais de três décadas à frente de “Tekken” na Bandai Namco, Katsuhiro Harada agora comanda a VS Studio, novo estúdio da SNK em Tóquio. Em entrevista recente, ele detalhou o plano ambicioso: resgatar a era de ouro dos games japoneses.
Do rosto de Tekken ao comando de um novo estúdio
Poucos nomes carregam tanto peso na indústria japonesa quanto Katsuhiro Harada. Ele entrou na Bandai Namco em 1994 e se tornou o rosto público da franquia “Tekken” ao longo de mais de 31 anos de casa. A saída veio apenas no fim do ano passado, em um anúncio que pegou a comunidade de jogos de luta de surpresa.
O novo capítulo não demorou. Em maio deste ano, Harada assumiu como CEO da VS Studio, estúdio recém-criado pela SNK no bairro de Shinagawa, em Tóquio. O nome carrega duplo sentido: “Video game Soft” e o espírito de “versus”, de desafiar a tradição. Ele levou junto aliados de longa data, como Yuichi Yonemori, diretor de jogos como “Tekken Tag Tournament”, que assumiu como diretor criativo da nova casa.
A meta declarada: mudar a cara da indústria

Em entrevista ao VGC, concedida no escritório recém-inaugurado do estúdio, Harada falou abertamente sobre suas ambições. Ele quer que a VS Studio lidere um renascimento da chamada era de ouro dos games japoneses. Naquele período, os estúdios do país experimentavam entre gêneros e criavam propriedades inteiramente novas, em vez de depender de franquias estabelecidas.
O executivo de publicação da SNK, Ozan Kocoglu, que também construiu carreira de décadas na Bandai Namco, foi além na mesma conversa. Segundo ele, a meta é ajudar Harada a construir algo capaz de mudar a cara da indústria como um todo.
A crítica velada aos chefões que não jogam
O trecho mais comentado da entrevista, porém, foi outro. Harada afirmou que, pelo seu entendimento, os executivos das grandes desenvolvedoras japonesas simplesmente não jogam os próprios jogos. Segundo ele, essa turma não testa protótipos, não experimenta builds de desenvolvimento e sequer joga os produtos finalizados. A participação da alta gestão se limitaria a reuniões sobre lucros, perdas e ponto de equilíbrio financeiro, sem qualquer feedback sobre os jogos em si.
O veterano fez questão de ponderar que não estava classificando essa postura como certa ou errada. O objetivo, segundo ele, era destacar que o grupo SNK funciona como exceção nesse cenário: por lá, as pessoas de fato amam e jogam os títulos que produzem. Harada também lembrou que, historicamente, as gigantes japonesas nunca foram dedicadas apenas a videogames. Elas mantinham negócios paralelos como parques de diversões, o que teria diluído o foco criativo ao longo dos anos.
Nova propriedade intelectual no horizonte
A VS Studio ainda não anunciou seu primeiro projeto. Como destacou o Techtroduce, o foco declarado está em criar propriedades originais, com liderança centrada nos jogos e não apenas em planilhas. Harada já indicou interesse em ação competitiva, sua zona de conforto histórica, mas evita se prender a um único gênero.
O estúdio opera como subsidiária consolidada da SNK, mas com grau relevante de independência criativa, em vez de funcionar como uma equipe interna convencional. A estrutura foi desenhada justamente para dar aos desenvolvedores o ambiente que, segundo Harada, permite que eles rendam o máximo.
Para os fãs de jogos de luta, a união soa quase como fanfic tornada realidade. De um lado, o pai de “Tekken”; do outro, a casa de “The King of Fighters” e “Fatal Fury”. O designer Yasuyuki Oda, da SNK, chegou a celebrar publicamente a chegada do velho rival e amigo. Se a promessa de resgatar a ambição criativa do auge japonês sair do papel, o mercado inteiro tem a ganhar. Agora, resta aguardar o primeiro anúncio da VS Studio para descobrir o tamanho real dessa aposta.



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