O criador de Metal Gear Solid descreveu o momento exato que considera ideal para partir. A fala aconteceu durante um festival de cinema e viralizou depois que ele mesmo compartilhou o vídeo.
Hideo Kojima voltou a falar publicamente sobre a própria mortalidade, dessa vez com uma imagem bastante específica. O criador de Metal Gear Solid e Death Stranding afirmou que gostaria de morrer dentro de uma sala de cinema. A declaração aconteceu durante uma participação em um festival na Itália, e o trecho ganhou repercussão em 21 de julho de 2026, quando o próprio designer compartilhou o vídeo em seu perfil.
O momento exato que ele descreveu
A fala chama atenção pela precisão do cenário imaginado. Segundo a tradução divulgada pelo perfil especializado Genki, que acompanha declarações da indústria japonesa, o designer explicou o pensamento em poucas frases.
Sempre pensei que, quando eu morrer, quero morrer em um cinema. (tradução livre)
Na sequência, ele detalhou qual parte da experiência prefere. Não é o filme em si, mas o instante anterior a ele. Kojima citou a entrada na sala, as luzes se apagando e a sequência de comerciais e trailers. É exatamente aí, pouco antes de a projeção começar, que ele gostaria de partir.
Um criador que se define pelo cinema
A declaração soa menos estranha para quem acompanha o trabalho dele. A própria descrição do perfil do japonês nas redes sociais afirma que 70% do corpo dele é feito de filmes. Não é força de expressão vazia, já que ele publica comentários sobre lançamentos de cinema e séries quase diariamente, incluindo análises entusiasmadas de produções de streaming.
Essa relação também explica boa parte da obra dele. Cenas longas, direção de câmera elaborada e elenco de atores conhecidos viraram assinatura da carreira, desde os tempos de Konami até os projetos atuais do estúdio próprio.
Não é a primeira vez que ele toca no assunto
O tema aparece com alguma frequência nas falas do designer. Meses atrás, ele comentou publicamente a ideia de deixar um pen drive com conceitos de jogos para que a equipe continuasse produzindo depois da partida dele. No começo de 2025, então com 61 anos, escreveu nas redes que não conseguia deixar de pensar por quanto tempo ainda seria capaz de se manter criativo.
Veículos internacionais apontam que essa reflexão se intensificou depois da pandemia e de questões de saúde enfrentadas pelo japonês nos últimos anos. O próprio Kojima trata o assunto sem dramatização, e a fala mais recente segue essa linha, com tom afetuoso em relação ao cinema.
Os projetos que ocupam o criador agora
Aos 62 anos, ele mantém uma agenda cheia. O principal jogo em desenvolvimento é OD, terror feito em parceria com o cineasta Jordan Peele e com elenco formado por Sophia Lillis, Hunter Schafer e Udo Kier. O próprio Kojima já afirmou que queria superar o limite de medo alcançado por outros jogos.
No cinema, dois projetos avançam em ritmos diferentes. A adaptação de Death Stranding está com a A24 e tem direção de Michael Sarnoski, com o japonês atuando como consultor. Já o filme de Metal Gear Solid, dirigido por Zach Lipovsky e Adam B. Stein, segue sem participação direta dele.
O cinema como método, não como hobby
A frase funciona como resumo involuntário de uma trajetória. Poucos criadores da indústria estabeleceram uma ponte tão explícita entre videogame e linguagem cinematográfica. Quando ele diz preferir o instante anterior ao filme, está descrevendo justamente a expectativa, matéria-prima de praticamente todo o trabalho dele.
Existe também um aspecto prático nessa relação. Ao transitar entre as duas linguagens, Kojima abriu caminho para que estúdios de cinema levassem games a sério como material narrativo, movimento visível na leva atual de adaptações de franquias dos videogames para as telas. Portanto, mais do que uma frase curiosa, a declaração reforça o lugar que o cinema ocupa no método de trabalho dele.





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