A grande novidade de Homem-Aranha: Um Novo Dia não envolve exatamente o protagonista e nem medalhões, como o Hulk. A essa altura, todo mundo sabe quem é a personagem de Sadie Sink, o que a estreia dela representa e como isso abre as portas do MCU para uma nova era, que promete ser diferente de tudo o que vimos até agora.
A palavra que nunca é dita
O detalhe mais curioso é uma ausência. O filme jamais pronuncia o termo mutante, apesar de apresentar a primeira integrante da equipe dos X-Men nativa daquele universo. Isso mantém as regras em aberto. Sem definição explícita, a Marvel preserva liberdade para estabelecer o funcionamento como preferir adiante.
Outros personagens já haviam sido apontados antes. Namor, Kamala Khan e Magnum receberam essa mesma classificação, embora nenhum integrasse a equipe mais famosa.
A mudança
Nas HQs, o mecanismo é conhecido. O gene responsável costuma se manifestar na adolescência, geralmente em momentos de forte abalo emocional.
O filme sugere algo além disso. A personagem parece passar por uma segunda ativação dos poderes, ganhando habilidades que não demonstrava antes. O gatilho segue o mesmo padrão: a mudança acontece após uma perda pessoal severa, o que remete ao conceito de mutação secundária dos quadrinhos.
O caso de Kamala Khan
A reformulação já havia acontecido antes. Kamala Khan, a Ms. Marvel, originalmente ligada a outra raça nos quadrinhos, a dos Inumanos, virou mutante na série do MCU.

Aquilo gerou reação dividida na época. Registramos por aqui a repercussão daquele desfecho e o debate que ele provocou entre leitores, discussão que volta agora. A mudança de poderes também incomodou. Já detalhamos como a produção justificou o novo funcionamento das habilidades dela, escolha que se afastou bastante do material original.
Prós e contras
Reproduzir o que já foi feito daria pouca razão para o público conferir a nova versão.
Há também um problema de comparação. Manter tudo igual convidaria o espectador a medir cada escolha contra a franquia anterior dos X-Men na Fox, que durou mais de duas décadas. Origens próprias resolvem isso. Elas permitem que a nova equipe seja avaliada pelo que faz, não pelo que repete.
Nem tudo agrada, porém. Converter heróis estabelecidos em mutantes pode soar como solução de conveniência para conectar personagens dispersos. A dose importa nesse caso. Se a prática virar rotina, o efeito pode ser mais dano do que benefício.
Duas versões ao mesmo tempo
A situação fica peculiar em dezembro. Vingadores: Doutor Destino traz de volta intérpretes da franquia anterior, como James Marsden, Rebecca Romijn, Ian McKellen, Patrick Stewart e outros.
O reinício vem em seguida. Jake Schreier desenvolve a nova equipe, com estreia prevista para depois dos próximos filmes dos Vingadores. A convivência entre duas versões também não é inédita. Produções anteriores já trouxeram intérpretes diferentes do mesmo personagem em curto intervalo, sem prejuízo para o público.






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