Enquanto o mundo discute quem será o próximo James Bond, um documento de quase setenta anos atrás reapareceu. O The Hollywood Reporter divulgou uma carta escrita por Ian Fleming em 1958, com orientações detalhadas sobre como o personagem deveria ser desenhado.
Como o material foi encontrado
A descoberta veio de dentro de uma família. Sean McLusky, filho do ilustrador John McLusky, localizou as páginas enquanto organizava e vendia obras do pai. O desenhista foi contratado para produzir uma tirinha do espião no jornal Daily Express, de Londres, e precisava saber como o protagonista deveria parecer.
A maior parte daquele material sumiu com o tempo. Apenas algumas páginas sobreviveram, o que torna o achado ainda mais raro.
A instrução mais curiosa
O trecho que mais chamou atenção trata de cabelo e formato de rosto:
De maneira geral, acho que devemos evitar dar a Bond uma cabeça de formato americano e um corte de cabelo de pato.
A observação é deliciosamente datada. O corte mencionado era moda entre jovens americanos nos anos 1950, e o autor claramente queria distância daquela estética.
O que os livros já diziam
Fleming nunca foi vago sobre a aparência do personagem. Em Moscou Contra 007, um dossiê descreve o agente com um metro e oitenta, cerca de setenta e seis quilos, cabelos pretos, olhos azuis e uma cicatriz fina na face direita. Havia ainda uma referência musical: o autor comparou a aparência dele à do cantor Hoagy Carmichael em dois romances diferentes.

O desenho aprovado tem valor histórico. Trata-se do único visual do personagem que o próprio criador validou, até onde se sabe publicamente.
Por que isso importa agora
A pauta chega em momento específico. A produtora Amy Pascal indicou que o nome do próximo intérprete pode ser anunciado até o fim deste ano. Especulações sobre o perfil do sucessor circulam há anos. Nomes de vários tipos foram cogitados publicamente, e o assunto virou debate recorrente entre fãs e imprensa.
Nossa cobertura acompanha aquela fila há tempo. Vale lembrar que um dos intérpretes anteriores chegou a sugerir publicamente quem gostaria de ver no papel, opinião que movimentou a conversa na época.
Para quem não conhece o autor, vale a apresentação. Ian Fleming foi jornalista e trabalhou na inteligência naval britânica durante a Segunda Guerra Mundial, experiência que alimentou diretamente os catorze livros do espião.
A tirinha em jornal também explica o formato. Naquele período, quadrinhos diários eram forma popular de adaptar romances, e o desenhista precisava de um rosto fixo para repetir todos os dias.
A franquia sempre mudou
Adaptações nunca seguiram o texto ao pé da letra. Sete atores viveram o papel no cinema, cada um com físico e estilo bem distintos daquela descrição original. Mudanças estruturais também aconteceram. O filme mais recente chegou a apresentar outra pessoa portando o código 007 dentro do serviço secreto, algo impensável nos livros.
Complementa bem outra notícia recente, aliás. A mesma produtora já sinalizou que a escolha do sucessor vem sendo conduzida com método rigoroso, e a carta antiga funciona como contraponto curioso àquele processo.
O futuro do espião
O próximo filme de James Bond está em pré-produção pela Amazon MGM Studios. Denis Villeneuve assume a direção, com roteiro de Steven Knight.
Nenhuma data de estreia foi confirmada. Estimativas de mercado apontam 2029 como janela provável para o novo 007, sem qualquer anúncio oficial nesse sentido.





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