Star Wars em Kingdom Hearts 4 seria um problemão?

Vinicius Miranda

Fãs sonham com um mundo da saga galáctica no jogo da Square Enix. O choque entre as duas visões de luz e trevas, porém, complicaria bastante a mistura.

Há anos, rumores e teorias apontam que Kingdom Hearts 4 traria Star Wars para dentro de seu universo. Até agora, a Square Enix não revelou nenhum dos mundos do jogo, mas a franquia da Disney segue como uma das apostas favoritas do público. Segundo uma análise publicada pelo site Game Rant, no entanto, essa união seria bem mais complicada do que parece, justamente por causa da forma como cada saga enxerga a eterna batalha entre a luz e as trevas.

Duas visões opostas sobre luz e escuridão

À primeira vista, a obsessão de Star Wars pelo embate entre o lado luminoso e o lado sombrio parece perfeita para Kingdom Hearts. Só que a saga criada por George Lucas trabalha com uma leitura bem mais rígida. Com Jedi e Sith em polos opostos, sobra pouco espaço para equilíbrio: o lado sombrio é uma corrupção da Força e precisa ser combatido.

Na avaliação do Game Rant, nem mesmo as prequels quebram essa lógica. O erro da Ordem Jedi não teria sido focar demais na luz, e sim a adesão cega ao próprio dogma, que criou amarras desnecessárias e fez a Ordem perder de vista o que realmente importava. No fim das contas, o lado sombrio segue sendo totalmente ruim, e o luminoso, totalmente bom.

Kingdom Hearts abraça a zona cinzenta

Já a série da Square Enix trilhou outro caminho. No começo, Kingdom Hearts também apostava em uma divisão clara entre bem e mal, bem ao estilo de Star Wars. Com o tempo, porém, a narrativa evoluiu, e luz e escuridão passaram a funcionar como forças complementares, não como opostos. Em excesso, qualquer uma delas desequilibra tudo, pois as duas precisam uma da outra.

Dessa forma, na franquia de Sora, a escuridão e a luz simplesmente existem, sem uma moral embutida. O que define o bem e o mal seria a maneira como cada personagem escolhe usar essas forças, uma perspectiva bem mais nuançada. É aí que mora o atrito: encaixar a rigidez de Star Wars nessa lógica poderia soar deslocado.

A solução seria apostar nos personagens certos

Existiria, ainda assim, uma saída elegante, argumenta o veículo. Em vez das escolhas óbvias, como Obi-Wan Kenobi, Luke Skywalker ou Darth Vader, o jogo poderia destacar personagens que flertaram com os dois lados da Força ou que romperam com o Conselho Jedi. Três nomes se encaixariam bem nesse perfil: Qui-Gon Jinn, que vivia discordando do Conselho; Ahsoka Tano, que se desligou da Ordem e virou uma usuária independente da Força; e Revan, que caiu no lado sombrio e depois retornou à luz.

Vale a ressalva de que o rótulo de “Jedi Cinzento” é bastante debatido entre os fãs. Na prática, esses personagens costumam ser mais rebeldes que seguem o próprio caminho do que usuários que equilibram luz e trevas. Ainda assim, suas trajetórias com a Força seriam ótimos veículos para reforçar a mensagem da série da Square Enix.

Um desafio e tanto para a Square Enix

Star Wars: The Clone Wars – Divulgação / Lucasfilm

Mesmo deixando a questão filosófica de lado, um mundo de Star Wars seria uma missão espinhosa. São tantos personagens e cenários queridos que escolher apenas alguns criaria uma situação de perde-perde, com decepção garantida para parte do público. Por isso, há quem defenda que o melhor seria a Square Enix focar nas propriedades originais da Disney.

É importante frisar que nada disso foi confirmado. Até o momento, o único mundo oficialmente revelado é Quadratum, a cidade realista inspirada em Tóquio, embora o trailer original de 2022 tenha alimentado teorias ao exibir uma floresta com o que parecia ser a pegada de um AT-ST. O jogo ganhou um novo trailer de gameplay em junho de 2026 e chegará a PS5, Xbox Series X|S, Switch 2 e PC, mas segue sem data. Rumores apontam 2027, o que coincidiria com os 25 anos da franquia, ainda que tais alegações mereçam cautela.

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