Kojima: Sony cancelou Physint por Zoom e sem explicação

Vinicius Miranda

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Hideo Kojima revelou como descobriu que a Sony não financiaria mais “Physint“: uma videochamada repentina em junho, sem justificativa e sem contato posterior. O criador contou que ficou em choque e que seu primeiro pensamento foi o destino dos quase 200 funcionários do estúdio.

Uma videochamada que mudou tudo

O rompimento entre Hideo Kojima e a Sony ganhou seu capítulo mais revelador. Em entrevista ao IGN, repercutida pelo Kotaku, o criador detalhou como soube do cancelamento de “Physint”. Em meados de junho, a Sony Interactive Entertainment pediu uma reunião por Zoom. Kojima estava em semana corrida, entre compromissos em Nova York e Los Angeles, mas aceitou a chamada ao voltar ao Japão.

Foi nessa conversa que a empresa avisou que não poderia mais financiar o desenvolvimento do jogo. Segundo Kojima, a reação imediata foi de choque total. Ele contou que chegou a perguntar o que haviam acabado de dizer, incapaz de processar a informação. Nenhuma justificativa foi apresentada durante a reunião. O criador admite que, atordoado, também não fez muitas perguntas. Desde então, segundo ele, a Sony não voltou a fazer contato.

O silêncio na sala e a reação inesperada

Physint
Physint – Divulgação / Kojima Productions

Kojima não estava sozinho na chamada. Participaram também Shinji Hirano, presidente da Kojima Productions, e Aki Saito, chefe de desenvolvimento de talentos do estúdio. Em entrevista ao Washington Post, Hirano relatou que sua mente ficou completamente em branco ao ouvir a notícia. A maior surpresa, segundo o presidente, veio logo depois: em vez de explodir, Kojima simplesmente voltou para sua sala e começou a trabalhar.

O próprio diretor explicou o motivo da reação contida. Segundo ele, não houve raiva nem tristeza naquele momento. O primeiro pensamento foi prático: o que fazer com o estúdio. A Kojima Productions é uma empresa independente, com quase 200 funcionários, muitos contratados justamente para trabalhar em “Physint”. Havia ainda empréstimos bancários ligados à expansão do estúdio após “Death Stranding” e atores que já haviam feito escaneamento corporal para o jogo. Um cancelamento repentino, sem plano B, poderia levar tudo ao colapso.

A lição de P.T. e a corrida por um novo parceiro

Silent Hills – Divulgação / Konami

Kojima revelou ainda que se recusou a repetir uma cicatriz antiga. Ele não queria comunicar à equipe que o jogo estava cancelado. Foi o que aconteceu no traumático fim de “P.T.” e “Silent Hills” na era Konami, em 2015. Em vez disso, partiu imediatamente para apresentar “Physint” a outras empresas. A estratégia mudou: em vez de oferecer apenas um jogo, ele apresentou o projeto como uma propriedade intelectual completa, com potencial para filmes, séries, animes, quadrinhos e música.

Segundo o criador, todas as conversas geraram reações positivas. Depois de cerca de três meses de busca, a escolhida foi a Microsoft, parceira com quem o estúdio já desenvolvia o jogo de terror “OD” desde 2022. O anúncio oficial da Xbox como nova casa de “Physint” encerrou o período de incerteza.

Sem briga, mas com mágoa no timing

Apesar de tudo, Kojima fez questão de baixar a temperatura. Segundo ele, não existe disputa com a Sony após cerca de 30 anos de relação. Kojima admite, porém, que gostaria de ter recebido a notícia um pouco mais cedo.

Sobre os supostos motivos do cancelamento, uma reportagem da Bloomberg apontou vendas abaixo do esperado de “Death Stranding 2”, prazos perdidos e orçamento estourado. A Kojima Productions respondeu publicamente pedindo que as alegações sejam tratadas com ceticismo. O estúdio negou as afirmações e reforçou que a relação com a Sony segue forte.

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