Kojima e PlayStation: a história da parceria que ruiu

Vinicius Miranda

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Por quase três décadas, os jogos de Hideo Kojima e a marca PlayStation andaram de mãos dadas. O cancelamento de “Physint” encerrou uma das relações mais duradouras da indústria. Relembre como esse vínculo nasceu, cresceu e desmoronou.

A era Konami: PlayStation sempre em primeiro lugar

Metal Gear Solid – Divulgação / Konami

A conexão entre Hideo Kojima e o PlayStation vem de longe. Ainda nos tempos de Konami, praticamente todos os grandes lançamentos do criador davam preferência aos consoles da Sony. “Metal Gear Solid”, de 1998, chegou como exclusivo do primeiro PlayStation e virou um marco do console. A tradição se manteve nas gerações seguintes.

O caso mais extremo é o de “Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots”. Lançado em 2008 como exclusivo de PS3, o jogo ficou preso àquele console por incríveis 18 anos. Ele só chegou às plataformas atuais no fim de agosto deste ano, com a “Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2”, como registrou o Gaming Trend. Poucos números ilustram melhor o quanto a obra de Kojima esteve amarrada ao ecossistema da Sony.

2015: a Sony acolhe o Kojima independente

Death Stranding – Divulgação / Kojima Productions

O ano de 2015 mudou tudo. Após o rompimento turbulento com a Konami, Kojima perdeu os direitos de todas as franquias que havia criado, incluindo “Metal Gear”. Foi a Sony quem estendeu a mão primeiro. A recém-independente Kojima Productions fechou parceria com o PlayStation logo de cara, e dessa união nasceu “Death Stranding”, em 2019, lançado primeiro no PS4.

A sequência manteve o padrão. “Death Stranding 2: On the Beach” estreou em 2025 como carro-chefe do PS5 e, até hoje, não chegou aos consoles Xbox. Tudo indicava que a aliança seguiria firme na próxima geração. Antes mesmo de lançar a sequência, Kojima já havia anunciado “Physint” como projeto ligado ao futuro do PlayStation.

As primeiras rachaduras no relacionamento

Os sinais de que a parceria não era um casamento exclusivo, porém, foram se acumulando. Em 2024, cinco anos após a estreia, o primeiro “Death Stranding” chegou ao Xbox Series. O movimento deixou clara uma lição que Kojima aprendeu a duras penas na Konami: desta vez, a franquia pertencia a ele, não à plataforma.

Outro indício veio ainda antes. Em 2022, a Kojima Productions anunciou uma parceria inédita com a Microsoft para um novo projeto. Ele seria revelado no fim de 2023 como “OD”, jogo de terror feito em colaboração com a Xbox. Na prática, Kojima construía duas pontes ao mesmo tempo: “Death Stranding” associado ao PlayStation de um lado, e uma futura franquia ligada ao Xbox do outro.

Physint: o auge da confiança e o fim abrupto

Divulgação: Sony Interactive Entertainment/Kojima Productions

“Physint” foi anunciado no início de 2024 como o retorno de Kojima à espionagem tática, um sucessor espiritual de “Metal Gear Solid” feito ao lado da Sony. Era o símbolo máximo da confiança entre as partes, tratado como aposta para a próxima geração do PlayStation. Foi justamente esse projeto que a Sony descartou. Em junho de 2026, a empresa comunicou por uma chamada de Zoom que não financiaria mais o jogo, sem apresentar justificativa. O relato é do próprio Kojima ao VGC e a outros veículos.

Três meses depois, a Xbox assumiu o projeto e se tornou a nova casa de “Physint”. O desfecho tem peso simbólico enorme: o herdeiro espiritual de “Metal Gear”, franquia que ajudou a definir o PlayStation, será publicado pela concorrente direta da Sony.

Fim de era, sem guerra declarada

O próprio Kojima faz questão de dizer que não existe briga com a Sony depois de cerca de 30 anos de relação.

Ainda assim, o capítulo que uniu o criador mais autoral dos games à marca que abrigou suas maiores obras parece encerrado. Para os fãs, fica a sensação de fim de uma era. E, para a indústria, fica a pergunta: quem perde mais com esse divórcio?

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