Universo Absoluto da DC muda tudo sobre o Lanterna Verde

Andre Luiz

Poucas reinvenções ousam mexer nos alicerces de um personagem tão codificado. Absolute Green Lantern, escrita por Al Ewing com arte de Jahnoy Lindsay, desmonta a mitologia do Lanterna Verde e reconstrói tudo em outra chave.

O que foi jogado fora

A lista de ausências impressiona. Não há Tropa dos Lanternas Verdes, não há anel nos moldes tradicionais e nem mesmo a força de vontade como motor dos poderes.

O gênero também mudou. A editora classifica a publicação como terror, e não como aventura espacial no formato clássico. A premissa parte de uma cidade pequena. Um monólito alienígena desce sobre Evergreen, isola o lugar do restante do mundo e submete os moradores a uma espécie de julgamento.

Quem conduz a história

A protagonista não é o nome mais óbvio. Jo Mullein ocupa o centro da narrativa, enquanto Hal Jordan aparece sob outra luz. Essa inversão é deliberada. O autor transformou o personagem mais conhecido numa presença ameaçadora, próxima do horror cósmico.

Ele explicou a escolha da protagonista:

Eu precisava de alguém que pudesse ocupar um papel bem ativo na história. Tinha personagens da mitologia do Lanterna Verde que podiam cumprir uma função ligada ao terror, mas precisava de alguém que funcionasse como o olhar do leitor e também como pessoa de ação. Alguém capaz de tomar decisões grandes. Entre todos que já usaram um anel, a Jo se destacou como quem marcava todas as caixas de que eu precisava.

Por que funciona

A liberdade é o principal trunfo. Segundo Ewing, escrever para leitores que desconhecem as regras permite surpreender de verdade, oportunidade rara com uma marca tão estabelecida. A comparação natural é com outro trabalho dele. O escritor aplicou fórmula parecida em Immortal Hulk, na Marvel, transformando um herói conhecido em fonte de pavor.

O medo do desconhecido guia tudo. Os temas passam por religião, julgamento divino e a própria natureza do sagrado.

O contexto editorial

A publicação integra uma linha específica. O Universo Absoluto reinventa personagens da editora do zero, sem compromisso com décadas de continuidade.

A iniciativa surgiu em 2024. Ela foi pensada como porta de entrada para novos leitores, segundo o idealizador da linha. A editora tem história longa de reinvenções. Nossa cobertura já detalhou a trajetória da casa desde a fundação nos anos 1930, marcada por ciclos de renovação dos personagens principais.

Reinícios já deram certo antes na casa. Isso aconteceu quando outra reformulação da editora chegou a superar a concorrente em vendas, mostrando o potencial comercial da estratégia.

Onde a série está agora

A publicação do Lanterna Verde Absoluto segue mensal. O primeiro volume encadernado reúne as seis edições iniciais, e o segundo cobre da sétima à décima segunda.

A segunda fase amplia a escala. Ela apresenta uma nova ordem que reformula a tropa por dentro e traz ameaças voltadas para a Terra.

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