Criador do Smash Bros. alerta sobre IA na indústria de games

Vinicius Miranda

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Masahiro Sakurai falou sobre o forte impacto da inteligência artificial no mercado. O aclamado desenvolvedor destacou que a criatividade humana será o único diferencial.

O famoso diretor Masahiro Sakurai é um dos nomes mais respeitados do mundo nerd. Ele é o grande e genial criador de franquias clássicas como “Super Smash Bros.” e “Kirby”. Recentemente, ele abordou um tema muito atual e polêmico. O veterano discutiu o crescente uso de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos. A moderna tecnologia está alterando rapidamente o cenário comercial em todo o mundo.

Durante uma recente e exclusiva entrevista ao portal japonês Denfaminico Gamer, o designer fez previsões preocupantes. Ele apontou que a facilidade absurda de produção rápida vai saturar as principais lojas online. Consequentemente, o número de lançamentos de baixa qualidade vai disparar de forma muito agressiva.

O aumento assustador de lançamentos anuais

Super Smash Bros. Ultimate – Divulgação / Nintendo

A constante evolução do mercado de games impressiona bastante até os mais experientes. Sakurai relembrou nostalgicamente o distante ano de 2010. Naquela época de fundação do seu prêmio Game Designers Award, a plataforma Steam recebia cerca de 275 novos títulos anualmente. Hoje em dia, esse colossal e gigantesco número chega perto de 19 mil lançamentos apenas no Japão.

Para o famoso executivo, esse volume assustador não vai parar de crescer tão cedo. A rápida popularização das novas ferramentas automatizadas vai acelerar esse processo vertiginosamente. Ele acredita de forma muito firme que a maioria dessas obras não terá qualquer sucesso de vendas real.

Acho que 19.000 títulos é um número impressionante, mas acho que esse número crescerá ainda mais daqui para frente. Tenho certeza disso, porque a IA impulsionará esse aumento. No entanto, acho que a maioria desses títulos será comercialmente inviável. Haverá simplesmente muitos para acompanhar ou até mesmo entender.

Clones e a total falta de originalidade

O principal e maior problema apontado pelo desenvolvedor é a extrema falta de inovação. Ferramentas puramente virtuais tendem a replicar sistemas e códigos que já funcionam. Isso gera uma verdadeira avalanche de jogos digitais totalmente genéricos, robóticos e sem alma própria.

Para ilustrar a situação, ele citou o curioso caso do jogo independente “Librarian: Tidy Up the Arcane Library”. A premissa mecânica central do projeto é muito básica. O usuário precisa apenas arrumar diversos livros que foram derrubados em uma mágica biblioteca. Após o inesperado sucesso dessa ideia, inúmeros clones virtuais inundaram brutalmente o concorrido mercado.

De repente, havia todos os tipos de jogos baseados em ideias semelhantes. O supermercado virou de cabeça para baixo, então vamos colocar todos os produtos de volta em ordem. Eles também fazem parte do gênero de quebra-cabeça, mas esses tipos de imitações devem ser incrivelmente fáceis para a IA produzir.

A mente criativa contra os frios algoritmos

Apesar das suas duras e pessimistas previsões sobre o volume de lixo virtual, Sakurai vê uma grande esperança no futuro. Ele defende fortemente que a criatividade humana pura se tornará um ativo incrivelmente raro e muito valioso. Uma supermáquina pode até aprender a replicar a bela e melancólica atmosfera de diretores renomados da indústria do entretenimento.

O japonês citou o lendário Fumito Ueda, o brilhante criador de clássicos eternos como “Ico” e “Shadow of the Colossus”, como um claro e perfeito exemplo. Um computador avançado pode facilmente analisar os dados frios e copiar toda a melancolia dessas obras do passado. Contudo, o cego algoritmo jamais conseguirá adivinhar ou projetar qual será o próximo e inédito passo da carreira desse diretor.

A verdadeira inovação nasce puramente de mentes artísticas que ousam explorar o total desconhecido. Por isso, descobrir novas abordagens é tão essencial. Acompanhar as profundas análises do mercado de tecnologia é vital para os desenvolvedores que não querem ficar para trás.

Essencialmente, a IA se baseia no que foi criado até agora, mas não pode se basear em coisas que nunca existiram antes. Aqueles que se aventuram em território desconhecido, pessoas que entendem e podem criar algo com seu próprio estilo único, se tornarão cada vez mais importantes.

Masahiro Sakurai – Divulgação / Nintendo

O que essas pesadas e sinceras declarações significam para o obscuro futuro da indústria de games? Em primeiro lugar, o importante alerta de Masahiro Sakurai aponta para um imediato colapso comercial na descoberta de novas obras. Se as vitrines das grandes lojas, como Steam, Xbox e PSN, ficarem entupidas de produções genéricas, estúdios independentes sofrerão bastante. Essa terrível superlotação ocultará projetos menores que foram feitos com verdadeira paixão e dedicação humana.

Além disso, para os apaixonados jogadores e exigentes consumidores, essa massiva inundação exigirá uma curadoria pessoal muito mais atenta e criteriosa na hora de abrir a carteira. Apenas os grandes selos garantidos e os times corajosos conseguirão se destacar na lama digital. Portanto, o uso inteligente de algoritmos até pode baratear os altos custos de cenários básicos e programação. Contudo, a tecnologia jamais substituirá a emoção catártica de um roteiro humano bem escrito.

Como resultado direto desse cenário altamente competitivo e saturado, a pura originalidade artística voltará a ser a mercadoria mais cobiçada e cara do mundo. Se os líderes criativos continuarem abraçando fortemente as suas peculiaridades imperfeitas, os fãs sempre estarão totalmente dispostos a financiar a verdadeira arte dos videogames.

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