O ator revelou que discute o projeto com o diretor de Nada de Novo no Front. O obstáculo, segundo ele, continua sendo encontrar uma história digna da trilogia original.
Os boatos sobre um reboot mais jovem da franquia podem ter vida curta. Durante participação no programa The Rich Eisen Show, da ESPN, Matt Damon afirmou que segue interessado em voltar a interpretar Jason Bourne e que já conversa ativamente com o diretor alemão Edward Berger sobre um sexto filme da saga. A entrevista aconteceu durante a turnê de divulgação de A Odisseia (The Odyssey), novo longa de Christopher Nolan.
Questionado diretamente se ainda tinha vontade de vestir o personagem, o ator respondeu com um sim imediato. Em seguida, detalhou o estágio das conversas.
Estou conversando com um grande diretor chamado Ed Berger. Ele fez Nada de Novo no Front, é um diretor maravilhoso, e estamos discutindo o assunto. Estamos tentando acertar a história, porque eu adoraria fazer isso (tradução livre)
O problema não é vontade, é estrutura narrativa

Damon explicou por que uma continuação é tecnicamente mais difícil do que parece. Na visão dele, se o filme sair, precisa alcançar o patamar dos três primeiros longas. E aí mora a complicação. A saga não funciona como James Bond, franquia em que cada filme é uma missão fechada e o próprio protagonista pode ser trocado sem grande atrito, tema que já rendeu longas rodadas de especulação sobre o elenco de 007.
Bourne, por outro lado, tem uma narrativa linear e acumulativa. Cada filme depende do anterior. Consequentemente, o desafio é entregar o que o público espera sem repetir fórmulas já gastas. Segundo veículos como The Playlist e World of Reel, Damon afirmou que a dupla enfrentou anos de impasse, mas que agora existe algo próximo de um horizonte definido para a história.
Quem é Edward Berger
Cineasta alemão premiado, Berger dirigiu Nada de Novo no Front (All Quiet on the Western Front), vencedor de quatro Oscars, além de Conclave e Ballad of a Small Player. Na televisão, assinou Patrick Melrose e episódios de The Terror. Seu nome circula ligado ao projeto desde 2023, e o diretor já havia condicionado sua participação ao mesmo critério defendido por Damon.
Eu farei se o Matt quiser fazer. Se tivermos realmente a sensação de que estamos acrescentando algo novo aos grandes filmes de Bourne que já existem (tradução livre)
Os direitos voltaram para a Universal
O movimento nos bastidores ajuda a explicar o otimismo. Em 2025, após os direitos cinematográficos retornarem ao espólio do escritor Robert Ludlum, a Universal Pictures reconquistou a propriedade em disputa que teria envolvido Amazon, Apple e Netflix. Em comunicado divulgado à época, o presidente do estúdio, Peter Cramer, afirmou que a franquia redefiniu o gênero de espionagem e que a empresa pretende ampliar esse universo com novas histórias. Jeffrey Weiner, executivo da Captivate Entertainment e responsável pelo espólio de Ludlum, celebrou a permanência da marca no estúdio. Reportagens indicam ainda que um roteiro teria sido escrito por Joe Barton, sem confirmação oficial sobre seu uso.
Da literatura ao cinema
A origem está nos romances de espionagem publicados por Ludlum a partir de 1980. Os três primeiros filmes emprestam os títulos dos livros, mas seguem caminhos bastante distintos das tramas originais. Após a morte do autor, a série literária continuou nas mãos de nomes como Eric Van Lustbader e Brian Freeman.
Nas telas, Damon viveu o personagem em quatro dos cinco longas. A exceção é O Legado Bourne, de 2012, estrelado por Jeremy Renner como Aaron Cross, agente de um programa clandestino paralelo. Somados, os cinco filmes ultrapassaram 1,6 bilhão de dólares em bilheteria global, valor sujeito a variação cambial.

A postura de Damon sinaliza uma escolha editorial rara em Hollywood. Em vez de acelerar o retorno para aproveitar a nostalgia, o ator condiciona tudo à qualidade do roteiro. Essa cautela tem raiz concreta, já que Jason Bourne, de 2016, teve recepção crítica morna se comparado à trilogia inicial.
Para os fãs, o saldo é ambíguo. Por um lado, a exigência reduz o risco de um sexto capítulo descartável. Por outro, prolonga uma espera que já dura uma década. Vale reforçar que nada foi confirmado oficialmente pela Universal, não há data de estreia e o projeto segue em desenvolvimento. Enquanto isso, Damon pode ser visto como Odisseu no épico reunido por Christopher Nolan.



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