‘Mestres do Universo’: o Esqueleto frágil de Jared Leto

Cheyna Corrêa

O diretor Travis Knight revelou o conceito por trás da nova versão do icônico vilão. Segundo ele, assustador não significa invencível, e a insegurança virou peça-chave do personagem.

A poucos dias da estreia, “Mestres do Universo” (“Masters of the Universe”) segue revelando detalhes do seu vilão mais aguardado. Em entrevistas recentes à imprensa internacional, o diretor Travis Knight explicou como construiu a nova versão do Esqueleto, vivido por Jared Leto. A grande aposta foi unir dois lados aparentemente opostos: um antagonista genuinamente ameaçador e, ao mesmo tempo, profundamente inseguro. O resultado promete um dos vilões mais complexos já vistos na franquia em live-action.

Por que o Esqueleto é tão difícil de adaptar

Para Knight, o segredo do personagem sempre esteve na mistura de tons. Fã do desenho desde a infância, o cineasta lembra que o Esqueleto nunca foi apenas um vilão de uma nota só. Ele reunia características que normalmente apareciam separadas em outros antagonistas dos anos 1980.

Em conversa com a revista Empire, o diretor resumiu esse fascínio. Segundo ele, o Esqueleto era várias coisas ao mesmo tempo:

Ele parecia legal, era assustador, era engraçado, era inseguro. E, claro, tinha aquela voz tão característica.

Justamente por isso, transpor essa combinação para as telas foi um dos maiores desafios da produção. Afinal, era preciso honrar o clássico sem cair na simples imitação.

Um vilão poderoso, porém inseguro

Em entrevista ao site GamesRadar, Knight detalhou ainda mais a personalidade do antagonista. Para ele, a equipe queria preservar tudo aquilo que tornava o Esqueleto memorável no desenho original.

Ele era engraçado, estranho, assustador, ameaçador, parecia legal. Era profundamente inseguro. Vivia insultando seus subordinados.

Essa camada psicológica é, talvez, o ponto mais interessante da releitura. De acordo com o diretor, o vilão é um homem faminto por poder, mas movido por uma fragilidade interna. Em outras palavras, ele está sempre montando um espetáculo e se frustra quando não recebe a reação que esperava. Dessa forma, a teatralidade clássica do personagem ganha um peso dramático inédito.

Como Jared Leto deu vida ao personagem

Diferentemente de outras produções que apostam apenas em efeitos digitais, Leto fez uma atuação física completa. Para isso, o ator vestia diariamente uma roupa com próteses no set de filmagem. O resultado final, porém, combinou esse trabalho corporal com animação digital avançada.

Curiosamente, Knight afirmou que o rosto caveira ficou surpreendentemente expressivo. Ainda segundo o diretor, é difícil imaginar tanta emoção e personalidade num crânio sem carne, mas foi exatamente isso que a equipe alcançou. Vale lembrar ainda que a voz original do Esqueleto foi criada por Alan Oppenheimer na animação clássica, e a produção buscou homenagear esse legado sem copiá-lo.

Mestres do Universo
“Mestres do Universo” – Divulgação / Amazon MGM Studios

O que esperar do filme

A história acompanha o Príncipe Adam, interpretado por Nicholas Galitzine. Ainda criança, ele cai na Terra e se separa de sua espada mágica, único elo com seu planeta natal. Quase duas décadas depois, Adam retorna a Eternia para enfrentar as forças do Esqueleto e finalmente assumir seu destino como He-Man, o homem mais poderoso do universo.

O elenco reúne nomes de peso. Além de Galitzine e Leto, o filme conta com Camila Mendes como Teela, Idris Elba como o Mentor, Morena Baccarin como a Feiticeira, Alison Brie como a Maligna e James Purefoy como o Rei Randor. Dirigido por Travis Knight, conhecido por “Bumblebee”, o longa marca o primeiro filme da franquia desde a versão de 1987.

Se você cresceu com os Mestres do Universo, vale relembrar tudo sobre a saga na nossa cobertura sobre He-Man aqui no Ei Nerd. E para conferir outras releituras de clássicos, dê uma olhada nas novidades de “Mestres do Universo”.

Análise: a aposta certa para reconquistar os fãs

Transformar o Esqueleto num vilão inseguro é uma escolha ousada, mas faz muito sentido. Em primeiro lugar, ela aproxima o personagem de antagonistas modernos e memoráveis, cuja humanidade os torna mais perigosos. Além disso, esse enfoque psicológico pode ser exatamente o que a franquia precisava para se reconectar com um público adulto e nostálgico.

Por outro lado, há um risco evidente. Equilibrar humor, teatralidade e ameaça num único personagem é uma tarefa delicada, e qualquer exagero pode comprometer o tom. Caso a dose esteja certa, contudo, o filme tem tudo para entregar um vilão que respeita o clássico e, ainda assim, soa fresco. Vale notar que as primeiras reações mudaram bastante a percepção do público, que saiu do ceticismo inicial para um clima de expectativa.

Quando estreia Mestres do Universo

“Mestres do Universo” chega aos cinemas brasileiros hoje, 4 de junho, com lançamento internacional no dia seguinte. A distribuição no Brasil é da Sony Pictures.

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