O criador de Mario e Zelda comentou o avanço da inteligência artificial em coletiva sobre a Ordem da Cultura. Para ele, a tecnologia pode ajudar os criadores a refletir sobre o que realmente importa.
Shigeru Miyamoto deu sua visão sobre a IA generativa nos jogos. Em coletiva realizada em 22 de outubro, depois de receber a Ordem da Cultura do Japão, o criador de Super Mario e The Legend of Zelda disse que a tecnologia não deve tornar obsoleta a criatividade humana. Segundo o GAME Watch, a conversa aconteceu na sede da Nintendo, em Quioto.
Criar não é o mesmo que executar tarefas

Miyamoto lembrou que sua geração viu ferramentas mudarem rápido, da máquina de escrever ao processador de texto. Naquela época, saber desenhar letras bonitas para cartazes já bastava para ser chamado de designer. Com o avanço dos computadores, porém, o talento individual, como o senso de composição, passou a ficar em evidência.
Acredito que a IA generativa representa uma mudança parecida (tradução livre)
Ele separa o ato de criar do trabalho braçal que vem depois. Primeiro, define-se a estrutura geral. Em seguida, vêm as tarefas de preencher lacunas e refinar detalhes.
O perigo de confundir esforço com qualidade
O ponto mais curioso da fala é o alerta sobre a satisfação. Segundo Miyamoto, esse trabalho manual pode ser muito prazeroso. Por isso, existe o risco de o criador se contentar com o esforço e achar que fez algo de alta qualidade.
Existe o perigo de sentir satisfação com a própria execução e acreditar, por engano, que uma obra de qualidade foi criada (tradução livre)
Para ele, quanto mais a IA assumir essas tarefas, maior a chance de os criadores pensarem no que é essencial. Miyamoto vê isso como algo positivo.
Intenção individual ainda faz diferença

O designer também citou exemplos de projetos feitos apenas com copia e cola. De acordo com ele, esse tipo de obra raramente resiste ao tempo, pois falta a intenção de quem criou. Já quando o computador é só um assistente do trabalho, o resultado depende da visão do autor.
Mesmo que a IA venha a cuidar de tudo, sempre restará um papel para nós (tradução livre)
O que a Nintendo diz sobre IA nos jogos
A Nintendo não confirmou publicamente se usa IA no desenvolvimento de seus jogos. Também não descartou a tecnologia por completo. Segundo o Video Games Chronicle, o presidente Shuntaro Furukawa reconheceu o potencial criativo, mas alertou para riscos de propriedade intelectual. Já o ex-presidente da Nintendo of America, Doug Bowser, teria dito que o tema era discutido internamente. Ambos destacaram a importância da criatividade humana.
Para os fãs, a fala é tranquilizadora, pois reforça que a visão de um autor continua sendo o centro dos jogos da Nintendo. Por outro lado, não há anúncio de política oficial, então a declaração reflete a opinião de Miyamoto, e não uma regra da empresa.
Para o mercado, a mensagem ajuda a ampliar o debate. Com a entrada de novos desenvolvedores facilitada pela tecnologia, a diferença entre fazer um jogo e fazer um bom jogo pode ficar mais clara. Portanto, a discussão sobre IA tende a continuar nos próximos meses.
E você, concorda com Miyamoto de que a IA não substitui a visão do criador? Conte para a gente nos comentários!





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