Morre Ettore Zuim, voz do Batman de Christian Bale no Brasil

Vinicius Miranda

O ator e dublador carioca Ettore Zuim morreu aos 66 anos nesta sexta-feira (4). A informação foi confirmada pela Associação Brasileira de Dubladores. A causa da morte não foi divulgada até o momento. No início de 2023, Zuim havia sido diagnosticado com Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) e, desde então, convivia com alguns comprometimentos de saúde.

A voz brasileira do Batman de Christopher Nolan

Zuim ficou conhecido do grande público como a voz brasileira de personagens vividos por Christian Bale e Owen Wilson. Foi ele quem dublou o Batman na aclamada trilogia dirigida por Christopher Nolan e estrelada por Bale.

Muitos fãs a consideram a versão definitiva do herói nos cinemas. O trabalho com o Homem-Morcego não parou nos filmes. Zuim também deu voz ao personagem nos games da série Batman: Arkham e em Injustice: Gods Among Us.

De Hércules ao Príncipe Encantado

Nas animações, o dublador marcou gerações. Ele deu voz ao protagonista de Hércules, clássico da Disney, e ao Príncipe Encantado da franquia Shrek. Em mais de 40 anos de carreira, a lista de personagens marcantes é extensa. Zuim dublou Patrick Bateman em Psicopata Americano, John Connor em O Exterminador do Futuro: A Salvação e Gil em Meia-Noite em Paris.

Também emprestou a voz a John Beckwith em Penetras Bons de Bico. Na TV e nos animes, foi o Senhor do Fogo Ozai em Avatar: A Lenda de Aang e o espadachim Dracule Mihawk em One Piece, entre muitos outros papéis.

Novelas mexicanas e trabalho fora dos microfones

A trajetória de Zuim também passou pelas novelas mexicanas que marcaram a televisão brasileira nos anos 1990. Ele participou da dublagem de Vovô e Eu, no papel de um dono de circo.

Em Maria Mercedes, deu voz ao personagem Ricardo, vivido pelo ator Rafael del Villar. Além do trabalho diante dos microfones, Zuim também construiu carreira como diretor e professor de dublagem, formando novos profissionais da área.

A paixão pelos vilões

Em entrevista ao canal Cine Multiverso, no YouTube, em 2023, Zuim revelou sua preferência profissional com bom humor. Ele contou que gostava mesmo era de fazer vilões, já que, nas palavras dele, “herói não tem tanta graça”. Na mesma conversa, o dublador contou que não costumava reassistir aos próprios trabalhos. Segundo ele, o prazer estava em fazer, e fazer bem, fosse um personagem pequeno ou um protagonista, sem espaço para trabalho de má vontade.

Fica o legado de uma das vozes mais presentes do audiovisual dublado no Brasil. Foi uma voz que acompanhou o público em salas de cinema, maratonas de anime e tardes de videogame ao longo de mais de quatro décadas.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também

ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA