Netflix pode adaptar Unhinged para filme ou série

Vinicius Miranda

O chefe de jogos narrativos da Netflix comentou os planos para o futuro do terror interativo. A ideia é transformar o streaming no lugar natural para “jogar histórias”.

A Netflix não quer parar em Unhinged. Segundo Sean Krankel, chefe de jogos narrativos da empresa, o objetivo de longo prazo é fazer da plataforma o destino óbvio para quem quer viver histórias de forma interativa. Em conversa com Christopher Dring, do site The Game Business, o executivo comentou os próximos passos da aposta, incluindo a possibilidade de levar a propriedade intelectual do jogo para o cinema ou a TV.

A ideia de adaptar Unhinged

Aqui vale cautela. Krankel afirmou que transformar Unhinged em um filme ou uma série é algo que está sendo conversado, mas ressaltou que nada é minimamente concreto por enquanto. Ou seja, trata-se de uma ambição, e não de um projeto anunciado. Para o executivo, o mais importante não é apenas migrar de mídia, e sim explorar uma nova forma de contar histórias.

Nesse ponto, ele destacou a grande sacada do jogo: usar o celular como controle. Em vez de ser um obstáculo, o aparelho se tornou um recurso criativo e novo. Segundo Krankel, quando essa entrega é feita de um jeito elegante e sem fricção, abre-se espaço para contar todo tipo de história.

O que é Unhinged

Lançado em 30 de junho de 2026 para os assinantes da Netflix, Unhinged é um jogo de terror em primeira pessoa desenvolvido pela Night School Studio, o mesmo estúdio de Oxenfree, comprado pela Netflix em 2021. A produção pode ser concluída em menos de uma hora e transforma o smartphone em controle, lanterna e linha de comunicação com os personagens.

O elenco reúne nomes de peso. Zoë Kravitz dá voz à protagonista Ava, presa em um prédio durante uma tempestade, enquanto Sadie Sink, de Stranger Things, vive a amiga Claire, e o veterano dublador Troy Baker completa o time. O jogo oferece um modo focado só na história e outro com cronômetro e mais tensão. Por conter cenas de violência, a experiência é indicada para maiores de 18 anos.

Eu adoraria que, daqui a um ou dois anos, as pessoas pensassem: “Este é naturalmente o lugar onde eu iria para jogar uma história”. E que “jogar uma história” não soasse estranho. (tradução livre)

A aposta em jogar uma história

Unhinged – Divulgação / Netflix Games

O grande sonho de Krankel é que essas experiências deixem de parecer experimentais e passem a soar naturais. A meta é reduzir ao máximo a barreira de entrada, de modo que qualquer pessoa, mesmo sem familiaridade com games, possa mergulhar na história sem medo de “não saber jogar”. A equipe teria buscado inspiração em salas de escape e em brinquedos de parques temáticos, onde ninguém precisa ser habilidoso para se divertir.

Essa filosofia explica por que o estúdio não tenta competir com gigantes do terror tradicional. A proposta é menos sobre dificuldade e reflexos e mais sobre imersão e narrativa. Curiosamente, apurações da imprensa internacional apontam que os cineastas David Fincher e Zach Cregger teriam tido algum envolvimento criativo no projeto, algo que a Netflix confirmou de forma vaga, sem detalhar.

O futuro da Netflix nos games

A ambição se encaixa em uma trajetória mais ampla. A Netflix já vinha flertando com narrativas interativas desde Black Mirror: Bandersnatch e mantém jogos ligados a franquias próprias, além de reformular constantemente sua divisão de games. Recentemente, inclusive, a empresa passou a apostar em novas tecnologias para acelerar o desenvolvimento de títulos.

Se a estratégia vai dar certo, só o tempo dirá. O sucesso de Unhinged sugere que existe apetite do público por esse formato híbrido entre assistir e jogar. Caso a Netflix realmente consiga naturalizar a ideia de “jogar uma história”, pode abrir um novo caminho para o entretenimento em casa. Por ora, resta acompanhar se a promessa se transforma em uma nova geração de experiências, ou se fica apenas na conversa.

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