Nintendo dá aumento de 10% no salário-base dos seus funcionários

Vinicius Miranda

O presidente Shuntaro Furukawa destacou a política de valorização dos funcionários durante a assembleia de acionistas. O movimento contrasta com a onda de demissões que atinge a indústria de games.

Em um setor marcado por demissões e cortes, a Nintendo segue na contramão. Durante a assembleia de acionistas de 2026, o presidente da empresa, Shuntaro Furukawa, voltou a destacar o aumento de 10% no salário-base dos funcionários, uma medida voltada a reter talentos. A informação foi divulgada a partir de uma tradução do perfil NStyles nas redes sociais, e reforça a postura da companhia de valorizar sua equipe mesmo em tempos difíceis.

A fala chama atenção pelo contexto. Enquanto muitos estúdios anunciam reestruturações, a Nintendo aposta na valorização de quem cria seus jogos. Vale notar, porém, que o reajuste de 10% foi originalmente implementado em 2023, e ainda não está totalmente claro se a declaração se refere a um novo aumento ou à reafirmação dessa política. A confirmação oficial deve vir com a divulgação completa da assembleia.

O que disse Shuntaro Furukawa

Questionado por acionistas sobre as condições de trabalho na empresa, Furukawa foi direto ao falar sobre a importância de manter a remuneração em um patamar adequado. Para ele, valorizar os profissionais responsáveis pelas marcas de sucesso da empresa é essencial para preservar a competitividade.

Mantemos os salários em um nível adequado. Acredito que é importante garantir que a remuneração permaneça em um padrão apropriado. Por isso, estamos promovendo aumentos, como a elevação do salário-base em 10%.

Cabe lembrar que se trata de uma tradução automática de uma declaração feita em japonês, então pequenas variações de sentido são possíveis. De toda forma, a mensagem central é clara: a Nintendo enxerga seus funcionários como seu maior patrimônio. Essa filosofia, aliás, não é nova e já apareceu em outras ocasiões.

Uma postura na contramão da indústria

O anúncio ganha ainda mais peso diante do cenário atual. Novos dados mostram que as vendas de hardware de Sony e Microsoft caíram, e diversos estúdios têm reduzido suas equipes. O Xbox, inclusive, anunciou recentemente mais um aumento no preço de seus consoles. Em meio a esse clima de incerteza, a atitude da Nintendo soa como uma rara boa notícia para os trabalhadores do setor.

A empresa japonesa, vale destacar, costuma agir de forma diferente de suas concorrentes ocidentais. Enquanto parte do mercado recorre a cortes, a Nintendo prioriza a retenção de talentos, uma prática também adotada por outras companhias japonesas. Esse compromisso com a equipe já havia sido demonstrado quando a empresa negou rumores de demissões em uma de suas subsidiárias, reforçando seu cuidado com os funcionários.

Preços para o consumidor também sobem

Apesar do gesto positivo para os funcionários, a Nintendo não está imune às pressões do mercado. A companhia vem aumentando preços tanto de hardware quanto de serviços. No Japão, por exemplo, houve reajuste na assinatura do Nintendo Switch Online, serviço que estreou com valores bem mais modestos anos atrás.

Além disso, meses atrás, a Nintendo confirmou um aumento de preço para o Switch 2, que entrará em vigor na América do Norte a partir de setembro. Segundo Furukawa, a alta nos custos de semicondutores influenciou diretamente esse reajuste. Ainda assim, a procura pelo console permanece forte, o que ajuda a empresa a equilibrar suas contas e a investir em sua equipe.

Investir em pessoas como estratégia

A decisão da Nintendo revela uma visão de longo prazo. Ao valorizar seus funcionários, a empresa busca garantir a continuidade da qualidade que consagrou suas franquias. Afinal, são os profissionais por trás de marcas como Mario e Zelda que sustentam o sucesso da companhia ao longo das décadas.

Para o mercado, a postura serve como um contraponto interessante ao modelo de cortes adotado por boa parte da indústria. Em um momento de turbulência, priorizar as pessoas pode parecer arriscado para alguns acionistas, mas tende a fortalecer a empresa no futuro. A solidez das vendas do Switch 2, que segue como um dos consoles de venda mais rápida da história, dá à Nintendo o respaldo financeiro para sustentar essa aposta, como mostram as decisões cautelosas e estratégicas que a empresa sempre tomou.

No fim das contas, a notícia é um alento em meio a tantos relatos negativos no setor. Resta torcer para que o exemplo da Nintendo inspire outras empresas a valorizar mais quem realmente faz os jogos acontecerem.

E você, o que acha da postura da Nintendo em relação a seus funcionários? Conta pra gente nos comentários!

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