‘O Diabo Veste Prada 2:’ O espetáculo da nostalgia que “nerfou” a vilã

Cheyna Corrêa

Vinte anos depois, o mundo da moda voltou a parar com a estreia de O Diabo Veste Prada 2. O resultado comercial é, sem dúvida, um fenômeno absoluto. No seu primeiro final de semana, o longa arrecadou impressionantes 233 milhões de dólares globalmente, esmagando a previsão inicial da indústria que era de 180 milhões. Em apenas duas semanas de exibição, a sequência já superou tudo o que o filme original conquistou em duas décadas. O público e a crítica parecem estar em uma rara sintonia, com notas altíssimas no Rotten Tomatoes e no IMDb. Contudo, por trás do brilho das passarelas e do sucesso estrondoso, existe um ponto de discussão que divide os fãs mais fervorosos.

O brilho intacto do elenco e o luxo visual

Tecnicamente, o filme é um deleite. O retorno de todo o elenco principal — Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci — traz um conforto imediato. É impressionante notar como os atores parecem ter congelado no tempo; a química entre Andy e Nigel, ou a tensão entre Andy e Miranda, continua vibrante. Além disso, a produção não economizou nos detalhes:

  • Figurinos impecáveis: Uma enxurrada de marcas de luxo e trocas de roupa que elevam o padrão do primeiro filme.
  • Referências: O roteiro é generoso com os fãs, trazendo desde citações escancaradas até easter eggs escondidos para quem assistiu ao original recentemente.
  • Participações especiais: O filme reserva uma surpresa que ninguém esperava, tornando-se um dos momentos mais comentados nas redes sociais.
Divulgação/Disney

O erro crucial: Onde está o “Diabo”?

Apesar das qualidades técnicas e do ritmo funcional, a sequência tomou uma decisão narrativa arriscada que mexe no coração da franquia. O título do filme sempre foi uma referência direta à personalidade magnética e cruel de Miranda Priestly. No longa de 2006, Miranda era consistente em sua frieza; mesmo em seus momentos de vulnerabilidade, ela permanecia implacável. No entanto, o roteiro de 2026 optou por uma “inversão de poder”.

Ao colocar Miranda em uma situação de fragilidade e buscar humanizá-la de forma excessiva, o filme acabou por “nerfar” a personagem. O que tornava a dinâmica interessante era justamente ver a vilã sendo uma megera em tempo integral. Quando o roteiro tenta controlar essa maldade para se adequar a uma trama mais atualizada, ele sacrifica a maior qualidade da obra original. Para quem buscava uma história à altura do desafio intelectual e da acidez do primeiro filme, essa mudança pode deixar um sabor agridoce, apesar de todo o carinho e capricho da produção.

Nostalgia vs. Sequência

No fim das contas, a divisão é clara. Quem foi ao cinema em busca de puro fan service e nostalgia saiu com um sorriso de orelha a orelha. O filme cumpre o que promete como entretenimento de “conforto”. Porém, para aqueles que analisam a obra como uma evolução narrativa, o original de 2006 permanece no topo. O Diabo Veste Prada 2 é uma continuação digna e obrigatória para os fãs, mas prova que, às vezes, certas características de personagens icônicos não deveriam ser suavizadas, mesmo vinte anos depois.

O que você achou dessa mudança no tom da Miranda Priestly para os dias atuais?

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