Diretor explica que o novo jogo não tem ligação direta com a série antiga, mas guarda referências espalhadas pelo caminho. As homenagens estão escondidas justamente nos inimigos.
Depois de duas décadas de silêncio, a Capcom finalmente traz Onimusha de volta. “Onimusha: Way of the Sword” chega em setembro como o primeiro capítulo principal da franquia samurai desde meados dos anos 2000. Em entrevista recente, o diretor Satoru Nihei explicou como o novo título presta tributo ao passado da série sem se prender a ele. E o segredo, segundo ele, está nos monstros que você vai enfrentar.
Um recomeço sem amarras narrativas

A primeira informação importante pode decepcionar veteranos. O jogo não possui conexão direta com os títulos anteriores, o que significa que personagens conhecidos da série não aparecem por aqui. A decisão foi tomada para tornar a experiência acessível a quem nunca encostou em um Onimusha, algo compreensível diante do longo período de hibernação da marca.
Isso não quer dizer, porém, que a herança tenha sido ignorada. Em conversa com a publicação Game Informer, o diretor detalhou a estratégia adotada pela equipe.
Não existe nenhum tipo de conexão direta com os jogos antigos dentro do mundo do jogo, mas tentamos prestar homenagem a alguns elementos daqueles títulos. Alguns dos inimigos que você verá, por exemplo, são baseados em inimigos antigos. Isso serve para que os fãs da série tenham algo com que se reconectar. (tradução livre)
O diretor fez questão de esclarecer um ponto. Todos os inimigos do game são completamente inéditos. A equipe pegou elementos das criaturas clássicas e os remixou para criar os novos Genma, os demônios que assombram a franquia desde o primeiro capítulo. Portanto, quem espera reencontrar velhos conhecidos vai precisar prestar atenção aos detalhes, não aos nomes.
O que permanece da fórmula original
Apesar do recomeço, alguns pilares seguem intactos. Nihei já havia destacado anteriormente que a ação é absolutamente essencial para definir o que é um Onimusha. Elementos icônicos como a absorção de almas e os contra-ataques Issen continuam presentes, e a equipe teria dedicado bastante cuidado a eles.
A Manopla Oni, artefato que dá nome à série, também retorna. Além disso, o diretor ressalta que a proposta vai além de simplesmente derrubar tudo o que aparece pela frente. Segundo ele, o jogo reserva sistemas e momentos que exigem raciocínio mais elaborado do jogador.
Kyoto, demônios e um espadachim lendário
A ambientação leva os jogadores ao Japão feudal, mais precisamente a uma Kyoto do período Edo. A imprensa internacional teve acesso antecipado a cerca de três horas de jogo na sede da Capcom em Osaka, experimentando uma seção de cidade aberta que culmina em confrontos com criaturas grotescas.
Entre os adversários apresentados está Rasho-gan, uma figura descrita como aterrorizante, além das criações sinistras de um antagonista chamado Dokyo. O protagonista, por sua vez, é inspirado em Musashi, o lendário espadachim que povoa o imaginário japonês há séculos.
Por que a série ficou tanto tempo parada
A explicação para o hiato prolongado é mais prática do que criativa. Segundo relatos da própria equipe, a Capcom precisou priorizar suas franquias mais lucrativas ao longo das últimas duas décadas, com Resident Evil e Monster Hunter consumindo a maior parte dos recursos e do calendário de produção.
O cenário só mudou quando tecnologia e pessoal se alinharam. A produção começou no início de 2020 com uma equipe de aproximadamente 170 profissionais, construída sobre a RE Engine, o motor gráfico interno da empresa. Aliás, é a mesma tecnologia que sustenta os remakes recentes de Resident Evil, o que ajuda a explicar o acabamento visual apresentado até agora.
A escolha da Capcom parece equilibrada. Amarrar um jogo a uma continuidade de vinte anos atrás afastaria novos jogadores, enquanto ignorar completamente o legado irritaria os veteranos. Espalhar referências visuais nos inimigos resolve os dois problemas de uma vez, sem exigir lição de casa de ninguém.
Por outro lado, cabe uma ressalva honesta. Quem esperava reencontrar personagens queridos ou desdobramentos da trama original vai sair frustrado. A franquia está sendo tratada como um recomeço, e a decisão só será validada quando o jogo estiver nas mãos do público.
“Onimusha: Way of the Sword” chega em 4 de setembro para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.





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