Onimusha: Way of the Sword é um soulslike? Entenda o jogo

Vinicius Miranda

O lançamento de Onimusha: Way of the Sword está marcado para 4 de setembro. Antes disso, uma pergunta domina as conversas sobre o jogo: afinal, o novo título da Capcom é um soulslike? A dúvida faz sentido. O jogo tem samurais, demônios, combate baseado em aparar golpes e comparações constantes com Sekiro: Shadows Die Twice.

A resposta curta, porém, vem da própria equipe de desenvolvimento: não. A resposta longa é mais interessante, porque o jogo pega emprestado algumas ideias do gênero enquanto rejeita outras de propósito.

O que a Capcom diz sobre o assunto

O diretor Satoru Nihei já respondeu à pergunta diretamente. Em entrevista à Game Informer, ele confirmou que Way of the Sword não é um soulslike. Trata-se de um jogo de ação de personagem, na linha do que a própria Capcom consagrou com franquias como Devil May Cry. Segundo o diretor, o foco do projeto é modernizar a série e expressar o choque das lâminas através da ação. Desde o anúncio, em um showcase da empresa, Nihei também deixou claro que a equipe não está tentando criar um jogo impossivelmente difícil. A meta declarada é proporcionar duelos de espada emocionantes e a satisfação de derrotar os inimigos.

O produtor Akihito Kadowaki reforçou essa posição ao detalhar o sistema de dificuldade. Segundo ele, o jogo foi construído com a intenção de ser o ápice dos jogos de ação com espada. Para isso, traz configurações modulares que separam dificuldade de história e de ação. O jogador pode ajustar parâmetros individuais em vez de escolher apenas um preset fechado, e é possível reduzir a dificuldade sem qualquer punição. É uma filosofia oposta à dos soulslikes clássicos, que tradicionalmente não oferecem seleção de dificuldade.

O que o jogo tem de soulslike

Onimusha: Way of the Sword – Divulgação / Capcom

A confusão não nasceu do nada. Way of the Sword incorpora elementos que os fãs associam imediatamente ao gênero criado pela FromSoftware. Há santuários que funcionam como pontos de descanso e reabastecem os itens de cura, no espírito das fogueiras de Dark Souls.

O gerenciamento de vigor é central no combate, tanto para administrar o próprio fôlego quanto para quebrar a postura dos inimigos. É uma dinâmica que lembra bastante Sekiro. E o combate baseado em aparar golpes no tempo certo, contra chefes exigentes, completa a sensação de familiaridade.

O que o jogo rejeita do gênero

As diferenças, porém, são estruturais. Em Onimusha: Way of the Sword, o jogador não perde moeda ou experiência ao morrer, um dos pilares mais reconhecíveis dos soulslikes. Chefes podem ser reiniciados instantaneamente, sem corridas de volta até a arena. Não existe a construção de builds que define o gênero, com atributos, classes e equipamentos moldando estilos de jogo distintos. Até existe um sistema de upgrade de armas e equipamentos. Mas isso é herança dos jogos anteriores da própria franquia Onimusha.

A exploração também não segue a lógica traiçoeira dos soulslikes. O jogo não é de mundo aberto, e sim estruturado em fases. Um bairro de Kyoto funciona como área central mais ampla, cheia de segredos e caminhos alternativos.

A dificuldade tampouco segue a régua do gênero. A demonstração divulgada antes do lançamento foi criticada por parte do público justamente por ser fácil demais. A equipe respondeu explicando que o modo voltado à história não foi simplesmente enfraquecido. O design parte da ideia de morrer, aprender e seguir em frente, com sistemas que ajudam o jogador a se recuperar após derrotas seguidas. Ou seja, existe desafio, mas ele é ajustável e pensado para não excluir ninguém.

Então, o que Way of the Sword realmente é?

A definição mais justa é a de um jogo de ação com espada que absorveu lições do gênero soulslike sem aderir às suas regras. O jogador controla Miyamoto Musashi, com o rosto inspirado no lendário ator japonês Toshiro Mifune. A aventura se passa em uma Kyoto do início do período Edo corrompida por demônios Genma. O combate exige atenção, leitura de inimigos e domínio das mecânicas. Ao mesmo tempo, o jogo entrega ferramentas para que cada pessoa calibre a experiência ao próprio gosto. Vale lembrar um detalhe histórico. A série original, iniciada em 2001, nasceu justamente como uma resposta de ação ao estilo de Resident Evil, muito antes de o gênero soulslike existir.

Para os fãs, a resposta pode até decepcionar quem torcia por um desafio implacável, mas abre o jogo para um público muito maior. É o primeiro capítulo principal da franquia em 20 anos, desde Onimusha: Dawn of Dreams. O jogo faz parte do movimento da Capcom de reviver marcas adormecidas. É o mesmo esforço que já rendeu projetos de adaptação de suas franquias clássicas e o carinho renovado por séries como Mega Man ao longo dos anos. Onimusha: Way of the Sword chega em 4 de setembro de 2026 ao PlayStation 5, Xbox Series X/S, PC e Nintendo Switch 2.

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