Por que a PlayStation cancelou Physint? Bloomberg explica

Vinicius Miranda

Depois do choque causado pela saída da PlayStation do projeto de Hideo Kojima, um novo relatório da Bloomberg detalha os bastidores da decisão. Desempenho comercial, orçamento estourado e questões de exclusividade aparecem como os principais motivos por trás do cancelamento de “Physint“.

Uma separação que pegou os fãs de surpresa

Nesta semana, os jogadores foram surpreendidos com o fim da parceria entre Hideo Kojima e a PlayStation. A Sony decidiu se afastar de “Physint”, enquanto o Xbox rapidamente assumiu o papel de nova parceira do criador de “Metal Gear Solid”. Agora, um relatório da Bloomberg revela os motivos que levaram a PlayStation a tomar essa decisão.

Segundo a reportagem, baseada em fontes anônimas próximas à situação, o cancelamento não teve uma causa única. Pelo contrário, foi resultado de um acúmulo de preocupações comerciais e financeiras que se somaram ao longo do desenvolvimento do projeto.

O desempenho de “Death Stranding” pesou na decisão

Death Stranding 2
Death Stranding 2 – Divulgação / Kojima Productions

Um dos fatores centrais apontados pela Bloomberg foi o desempenho comercial dos últimos dois jogos de Kojima para a PlayStation, a série “Death Stranding”. Segundo as fontes ouvidas pelo veículo, os dois títulos não atingiram as expectativas de receita estabelecidas pela própria Sony.

Esse histórico se tornou um problema ainda maior ao ser projetado sobre “Physint”, um jogo mais caro e ambicioso, ainda em estágio inicial de produção. A PlayStation não tinha certeza de que a nova aposta traria um retorno financeiro melhor que a franquia anterior. Isso parece ter levado a empresa a reavaliar o quanto valia a pena seguir bancando o projeto sozinha.

Prazos perdidos e orçamento fora de controle

Além da questão comercial, a Bloomberg aponta problemas concretos de produção. Segundo o relatório, “Physint” já havia perdido prazos internos. O projeto também estava a caminho de estourar significativamente o orçamento planejado, mesmo com o lançamento ainda distante no calendário.

Esse cenário tornou o investimento ainda mais arriscado aos olhos da PlayStation. Continuar financiando um projeto que já mostrava sinais de atraso era um risco alto. Isso significaria comprometer centenas de milhões de dólares anos antes de qualquer lançamento previsto, sem garantias sólidas de retorno dentro de um prazo razoável.

O problema da exclusividade temporária

O terceiro grande fator, segundo a Bloomberg, envolve a política de exclusividade adotada pela Kojima Productions. Assim como aconteceu com os dois jogos de “Death Stranding”, “Physint” não ficaria restrito à PlayStation por tempo indeterminado. O jogo eventualmente chegaria também a outras plataformas, incluindo o PC.

Para a Sony, investir uma quantia tão alta em um título que só permaneceria exclusivo por um período limitado deixou de fazer sentido financeiro. A publicadora, aliás, vem reduzindo o lançamento de jogos single-player próprios no PC. Essa postura reforça ainda mais a resistência em repetir o modelo de “Death Stranding” com um orçamento ainda maior.

O Xbox entra em cena após três meses de busca

Apesar do revés, a história de “Physint” não terminou. Hideo Kojima confirmou que passou três meses em busca de um novo parceiro. Ele encontrou no Xbox a solução para manter vivo o que descreve como um título de ação e espionagem definidor de gênero.

O acordo com o Xbox vai além do próprio jogo. Ele também inclui direitos de cinema e televisão tanto para “Physint” quanto para “OD”, outro projeto da Kojima Productions já ligado à Microsoft. A mudança de parceiro reforça um movimento maior na indústria. A relação entre grandes estúdios autorais e publicadoras vem se tornando cada vez mais sujeita a cálculos financeiros rígidos, mesmo quando o nome envolvido é um dos mais respeitados do setor.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também

ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA