Zack Snyder quase deu outro papel para Jesse Eisenberg no DCEU

Andre Luiz

Zack Snyder costuma revelar detalhes inéditos sobre suas produções muito tempo depois do lançamento. A mais recente envolve o elenco de Batman Vs Superman: A Origem da Justiça.

Segundo o próprio diretor, escalar Jesse Eisenberg como Lex Luthor não foi a ideia original. O ator quase entrou na trama como Jimmy Olsen, o fotógrafo clássico dos quadrinhos do Superman. No filme, ele aparece de forma breve e morre sem nem ser identificado por nome em tela.

O Jimmy Olsen que quase existiu

Snyder percebeu cedo que não haveria espaço para desenvolver Jimmy Olsen como personagem relevante. Em vez de descartar a ideia, o cineasta enxergou ali uma oportunidade: usar a fama de um astro reconhecido para brincar com as expectativas do público.

Se um nome como Eisenberg surgisse dizendo ser Jimmy Olsen, a plateia assumiria participação longa dele na trama. A morte precoce, então, geraria um choque genuíno.

A citação direta ao clássico de Hitchcock

Esse efeito de surpresa é o mesmo que Alfred Hitchcock buscava em Psicose. O diretor britânico exigiu que as salas não deixassem espectadores entrarem após o início da sessão, prática incomum para a época. A ideia era garantir o susto quando Marion Crane, vivida por Janet Leigh, é assassinada logo no começo da história. Em entrevista à revista EW, Snyder resumiu o raciocínio:

Eu pensei assim: se fosse o Jesse Eisenberg e ele saísse e dissesse ‘eu sou o Jimmy Olsen‘, você pensaria ‘meu Deus, vamos ter o Jimmy Olsen no filme inteiro’. Aí, se ele levasse um tiro, você ficaria tipo ‘o quê? Você não pode fazer isso’.

Ao apresentar a ideia para Eisenberg, Snyder percebeu o ator refletindo demais sobre a personagem. Foi aí que decidiu testá-lo como uma versão diferente de Lex Luthor. O papel de Jimmy Olsen acabou nas mãos de Michael Cassidy, de The O.C., sem o mesmo reconhecimento imediato do colega de elenco.

Jimmy Olsen em Batman vs. Superman: A Origem da Justiça – Reprodução/Warner Bros./DC

Quando o cinema repete (e inverte) o próprio truque

Matar um nome conhecido logo no início não é exclusividade de Hitchcock. Anos depois, Pânico repetiu a fórmula ao eliminar Drew Barrymore nos primeiros minutos, mesmo com o rosto da atriz estampado na divulgação. Como recordamos em nossa lista sobre as cenas mais surpreendentes de Batman Vs Superman, o longa de Snyder já guardava outras reviravoltas.

Mais recentemente, o sexto filme da franquia Todo Mundo em Pânico inverteu essa lógica: Teyana Taylor derrota Ghostface logo na abertura, numa cena que depois se revela parte de um filme dentro do filme. Já cobrimos por aqui outros cruzamentos e referências escondidas nos trailers de Pânico, prova de que o público amadureceu diante desse golpe narrativo.

O truque teria funcionado em meio a tanto elenco?

É difícil garantir que a estratégia surtiria o efeito esperado. Batman Vs Superman: A Origem da Justiça reúne um elenco numeroso demais, e a plateia dificilmente apostaria com certeza em quem sobreviveria até os créditos finais. Jason Momoa, por exemplo, foi anunciado como Aquaman ainda no início da produção, mas apareceu apenas num vídeo breve dentro da trama. A cadeira de rodas explosiva de Scoot McNairy também tinha como objetivo pegar o público desprevenido.

Vale lembrar que Eisenberg seguiu como Lex Luthor por mais tempo. O papel voltou em Liga da Justiça e depois no chamado Snyder Cut. Boa parte dos planos originais do diretor para o vilão, porém, nunca chegou às telas. Como já mostramos por aqui, o próprio ator revelou depois que interpretar Luthor teria prejudicado sua carreira. Talvez ele tenha saído ganhando ao não repetir a experiência como Jimmy Olsen.

Fica a curiosidade sobre como o público reagiria caso Bryan Cranston, cotado à época, tivesse assumido o papel de Lex Luthor. O que não muda é a certeza de uma coisa: a chamada cena da Martha continuaria dividindo opiniões entre os fãs de DC, com ou sem Jimmy Olsen na trama.

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