Por que o PS6 assusta mais do que empolga os fãs?

Vinicius Miranda

A próxima geração de consoles se aproxima em meio a preços altos e poucos exclusivos. Uma análise questiona se realmente precisamos de um novo videogame agora.

Estamos há quase seis anos na atual geração de consoles, iniciada com o lançamento do “PS5” e do Xbox Series X/S em dezembro de 2020. Em teoria, essa seria a hora de a empolgação pela próxima geração explodir. Afinal, historicamente, cada ciclo durava um tempo parecido e nos deixava ansiosos por um novo hardware. No entanto, o clima atual é bem diferente.

Uma análise recente do portal TheGamer levanta uma provocação necessária: será que os fãs realmente precisam de um PS6 agora? A resposta, segundo o autor, é um sonoro não, e os motivos vão muito além de uma simples birra tecnológica.

A geração atual cumpriu o que prometeu?

Para entender o argumento, é preciso olhar para o presente. Todo hardware de nova geração costuma empurrar os limites dos gráficos e das ideias. De fato, o “PS5” e o Series X entregaram títulos fantásticos, como “Astro’s Playroom” e “Demon’s Souls”. Eles também popularizaram o padrão de 4K a 60 quadros por segundo fora do PC.

Contudo, segundo a análise, esses consoles já flertavam com um perigoso ponto de retornos decrescentes. Com o passar dos anos, eles teriam falhado em surpreender novamente. A dura realidade do desenvolvimento de jogos AAA e os custos tecnológicos crescentes se tornaram um obstáculo enorme para a indústria.

A escassez de jogos exclusivos

Um dos pontos mais delicados levantados pelo texto é a falta de exclusivos. De acordo com a análise, alguns estúdios lançaram apenas um ou dois títulos durante toda a geração. Enquanto isso, outros teriam se apoiado quase que inteiramente em remasterizações previsíveis.

Os desenvolvedores terceirizados até aceleraram o ritmo. Porém, eles também não estão imunes aos orçamentos que sobem rapidamente e aos cronogramas de produção insustentáveis. Nesse cenário, cada jogo precisa ser um sucesso instantâneo, sob o risco de gerar demissões e fechamento de estúdios.

O fantasma do console de mil dólares

PlayStation 5 – Divulgação / Sony

Aqui mora talvez o maior temor de todos: o preço. Pela primeira vez na história, os jogadores passaram uma geração inteira vendo o hardware ficar mais caro, em vez de mais acessível com o tempo. Essa é uma inversão preocupante da lógica tradicional do mercado.

Segundo relatos recentes citados na análise, o custo de fabricação de um PS6 teria subido de cerca de 760 para quase 1.000 dólares. Esse aumento seria causado pela alta nos preços dos componentes, como memória e armazenamento. Ironicamente, muitas das mesmas gigantes da tecnologia lideram os data centers de inteligência artificial, que pressionam esses custos para cima.

Consequentemente, o autor projeta um futuro salgado. Ele afirma ter dificuldade em imaginar o “Project Helix”, o próximo Xbox, ou o PS6 custando menos de 900 dólares. Vale lembrar que o “PS5 Pro” já se aproximou da casa dos quatro dígitos em seu lançamento, o que reforça essa preocupação.

Como o live-service mudou tudo

Existe ainda um fator comportamental importante. A proliferação de títulos de serviço contínuo, como “Fortnite”, “Roblox” e “Call of Duty”, transformou os hábitos de milhões de jogadores. Muitos deles não vivem mais na expectativa de um grande exclusivo a cada poucos meses.

Basicamente, vivemos em um mundo de ecossistemas virtuais em constante crescimento. Esses universos, por natureza, abandonaram as plataformas tradicionais em favor de algo mais fluido. Dessa forma, some o incentivo para atualizar o console. Afinal, se o seu “Fortnite” já roda bem, por que gastar mais?

O adeus à mídia física como golpe final

Call of Duty Warzone – Divulgação / Activision

Para completar o quadro, há a questão da posse dos jogos. Existe o rumor de que o PS6 não teria um leitor de discos, já que a PlayStation vai abandonar a mídia física. Para o autor, isso seria mais um prego no caixão para o consumidor curioso.

O “Project Helix” também seguiria o mesmo caminho, supostamente para cortar custos e lucrar mais. Segundo a análise, esse não é um futuro para se comemorar. A crítica é de que os jogos, como forma de arte, estariam sendo deixados de lado em nome do lucro máximo.

Então, o que isso significa para os fãs e o mercado?

A provocação do texto é poderosa. Seremos convidados a comprar um modelo novo, com um controle novo e uma interface nova, mesmo que o aparelho embaixo da nossa TV funcione perfeitamente. A indústria, por sua vez, teria cavado um buraco insustentável de orçamentos excessivos e prazos longos demais.

Para os fãs, o momento pede cautela em vez de euforia. O portfólio de exclusivos da PlayStation está enxuto, enquanto o Xbox se prepara para uma grande rodada de demissões. Portanto, os novos consoles talvez não cheguem recheados de jogos que já não existam ou que não rodem bem no que temos hoje.

Do ponto de vista do mercado, a mensagem final da análise é de resistência consciente. A sugestão é votar com a carteira, mesmo que isso signifique lidar com a sensação de estar perdendo algo (o famoso FOMO).

E você, concorda que não precisamos de um novo console agora? Conte para a gente nos comentários!

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