Red Dead Redemption 3 vai ser sobre um jovem Dutch Van der Linde?

Vinicius Miranda

A teoria de uma prequela centrada na origem da gangue Van der Linde voltou a circular com força. Antes de embarcar na empolgação, vale conferir o que realmente está confirmado.

A teoria voltou a rodar pelas redes nas últimas semanas. Segundo ela, Red Dead Redemption 3 seria uma prequela ambientada antes de tudo, mostrando a juventude de Dutch van der Linde e o nascimento da gangue que carrega seu nome. A ideia é sedutora, coerente e narrativamente redonda. O problema é outro: até agora, ela não passa de especulação de fãs. A Rockstar Games nunca anunciou um terceiro jogo.

O que dizem os rumores

A proposta que circula é bastante específica. O jogo recuaria no tempo para acompanhar Dutch antes da loucura, quando ainda acreditava sinceramente em um mundo sem leis e sem governos. Veríamos como ele conheceu Hosea Matthews, como a filosofia de liberdade da gangue nasceu e, principalmente, em que momento tudo começou a ruir.

O arremate seria o famoso assalto de Blackwater, evento mencionado incontáveis vezes em Red Dead Redemption 2 e nunca mostrado. Terminar ali criaria uma ponte perfeita com o início do segundo jogo. Do ponto de vista de roteiro, é uma solução elegante.

Onde a história desanda

Dutch Van der Linde em Red Dead Redemption 2 – Divulgação / Rockstar Games

Aqui entra a parte que raramente aparece nas manchetes. Circula há meses uma afirmação de que a Rockstar teria iniciado a pré-produção de Red Dead Redemption 3. Ao rastrear a origem dessa informação, veículos especializados internacionais constataram que ela partiu de uma publicação sem fonte alguma, compartilhada em fóruns e replicada adiante sem checagem.

Além disso, um levantamento recente apontou que o jogo não consta no pipeline público de desenvolvimento divulgado pela Take-Two Interactive para os anos fiscais entre 2026 e 2028. Analistas de mercado que acompanham a empresa trabalham com projeções que variam de 2028 até o início da próxima década, e são estimativas, não informações.

Portanto, quando um texto afirma que existem indícios de que o projeto já está em estágio inicial de desenvolvimento, convém desconfiar. Nenhuma fonte primária sustenta isso.

Outro erro que se repete

Vale ainda corrigir um número que teima em circular. Muitos textos citam que Red Dead Redemption 2 ultrapassou 60 milhões de cópias vendidas. Esse dado está defasado. O jogo já superou 85 milhões de unidades e se tornou o terceiro título mais vendido da história, atrás apenas de Minecraft e de Grand Theft Auto V. O número correto, aliás, só fortalece o argumento de que a franquia dificilmente será abandonada.

Por que a teoria continua atraente

Nada disso significa que a ideia seja ruim. Muito pelo contrário. Dutch é um dos personagens mais complexos já criados pela Rockstar: carismático, articulado, movido por um ideal utópico e, ao mesmo tempo, profundamente autodestrutivo. Acompanhar a corrosão gradual desse idealismo renderia material dramático de primeira.

Uma prequela também resolveria problemas práticos. Não haveria conflito com os desfechos já estabelecidos, abriria espaço para cenários inéditos e permitiria explorar temas caros à série, como liberdade, corrupção e desigualdade, em um Velho Oeste ainda em formação.

Por que o ceticismo é saudável

O ecossistema de rumores em torno de Red Dead Redemption 3 se tornou uma indústria própria. Cada teoria de fã vira manchete, cada manchete vira fonte para outra manchete, e em poucos dias uma hipótese vira quase notícia. Esse ciclo desinforma.

Há também um contra-argumento importante contra a própria teoria. A Rockstar dificilmente repetiria a mesma solução narrativa duas vezes seguidas. Red Dead Redemption 2 já é uma prequela. Fazer outra, ainda mais recuada, correria o risco de transformar a franquia em um exercício de nostalgia, algo que o estúdio historicamente evita. Parte considerável da comunidade, aliás, defende exatamente o oposto: protagonista inédito, gangue nova, nenhum vínculo com Dutch.

Some-se a isso o calendário. Com Grand Theft Auto VI marcado para 19 de novembro de 2026 e um longo ciclo de suporte pós-lançamento pela frente, qualquer novo Red Dead está a anos de distância.

Sobra o sonho, e não há nada de errado nisso. Especular faz parte da graça de acompanhar uma franquia amada. O cuidado necessário é apenas um: não confundir vontade com informação. Até que a Rockstar diga alguma coisa, tudo o que existe sobre Red Dead Redemption 3 é desejo bem articulado de comunidade.

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