O jogo que nasceu como um experimento com Pokémon na Unity e viralizou na internet ganhou identidade própria e agora salta do PC para todas as plataformas. A estreia está marcada para 30 de julho de 2026.
Shard Squad, um dos indies brasileiros mais comentados dos últimos meses, tem data confirmada para desembarcar nos consoles: 30 de julho de 2026. O jogo chega a Xbox One, Xbox Series X e S, Xbox no PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. O título já estava disponível na Steam desde novembro de 2025 e vinha acumulando boa recepção antes desse salto de plataforma.
De estudo de Unity a jogo completo

A origem do projeto é, no mínimo, curiosa. Rennan Costa, criador e programador do jogo, começou tudo como um exercício pessoal para aprender a engine Unity. Não havia plano comercial algum. O protótipo era, literalmente, um Vampire Survivors recheado de Pokémon, com direito a Pikachu jogável.
O experimento viralizou na internet. Diante da repercussão e do risco jurídico evidente de usar personagens da Nintendo, o desenvolvedor retirou o material do ar. Mas a semente estava plantada, e o retorno da comunidade foi determinante.
O jogo começou como um estudo de Unity. Quando compartilhei o protótipo, muitas pessoas disseram que eu deveria continuar o projeto. Foi aí que nasceu o Shard Squad.
A partir daí, o projeto ganhou criaturas redesenhadas, um universo próprio chamado Mellunia e uma identidade autoral. Rennan, também conhecido pelo trabalho em Bagdex, tocou o desenvolvimento junto ao The Root Studios.
O desafio de terminar sem financiamento
Criar mecânicas, mapas e personagens é só parte do trabalho. Segundo o próprio desenvolvedor, o obstáculo mais duro foi outro: concluir um projeto independente sem qualquer aporte externo. Definir escopo, respeitar prazos e escolher prioridades virou uma lição prática de sobrevivência. Ele descreve esse aprendizado como o maior ganho de toda a jornada.
É um relato que dialoga com a realidade de boa parte da cena nacional. Sem publisher robusto por trás, cada decisão de recurso pesa. Ainda assim, o jogo chegou à Steam, conquistou público e agora amplia seu alcance.
Personagens no centro da proposta
Um dos pilares declarados do projeto é o vínculo afetivo. Em vez de tratar os integrantes do esquadrão como conjuntos de estatísticas, a equipe investiu em personalidade, histórias e relações entre eles. Há inclusive criaturas inspiradas em animais de estimação do próprio desenvolvedor, o que transforma memória pessoal em conteúdo de jogo.
A intenção, segundo Rennan, sempre foi fazer com que o jogador goste dos personagens, e não apenas das habilidades que eles carregam para o combate.
Mais do que um bullet heaven
Na jogabilidade, Shard Squad parte da fórmula popularizada pelos survivor-likes, mas tenta fugir do piloto automático do gênero. Em vez de acumular armas aleatórias, o jogador monta um esquadrão e explora sinergias entre os integrantes.
O pacote inclui um sistema de progressão, dezenas de relíquias, mais de 200 tipos de inimigos e uma boa quantidade de chefes únicos espalhados pelos cenários de Mellunia. Há ainda suporte a cooperativo local, o que amplia o apelo para quem gosta de testar builds absurdas com alguém no sofá. A proposta visual também destoa da média do gênero: em vez do tom sombrio habitual, o jogo aposta em cores vibrantes e humor.
O caso de Shard Squad ilustra bem um caminho que se tornou viável na última década. Um desenvolvedor sozinho, estudando uma engine, esbarra em uma ideia com potencial, ouve a comunidade e transforma aquilo em produto. Não é um roteiro comum, mas também não é mais impossível.
Há aprendizados concretos aqui. O primeiro é sobre propriedade intelectual: usar personagens de terceiros pode render visibilidade imediata, mas fecha qualquer porta comercial. Ao reconstruir o conceito com criaturas originais, Rennan converteu um beco sem saída em ativo próprio. O segundo é sobre escuta. A virada só aconteceu porque houve público pedindo.
Para o mercado brasileiro, a chegada aos consoles é simbólica. Colocar um indie nacional nas lojas do PlayStation, do Xbox e da Nintendo simultaneamente ainda é conquista relevante, sobretudo sem financiamento externo. O risco, claro, é o gênero: survivor-likes se multiplicaram e a concorrência é feroz.
Quem quiser garantir o jogo já pode adicioná-lo à lista de desejos nas lojas digitais de cada plataforma. Preços e edições podem variar conforme região, câmbio e promoções, então convém checar diretamente na loja no dia da estreia. A contagem regressiva começou.





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