O novo filme de “Resident Evil” vai na contramão do que muitos fãs esperam de uma adaptação da franquia: o diretor Zach Cregger, responsável pelo aclamado “A Hora do Mal” (Barbarian), confirmou que o longa terá poucos zumbis tradicionais. Em entrevista ao IGN, o cineasta revelou que o foco da produção está nas criaturas geradas pelo T-Virus, explorando as mutações do agente biológico com muito mais amplitude do que as adaptações anteriores.
O que o diretor revelou sobre o filme?
Em entrevista ao IGN acompanhada de uma análise do trailer do longa, Cregger deixou claro que a escolha de afastar o filme dos zumbis convencionais foi intencional:
Não há muitos zumbis neste filme. É muito mais focado em criaturas estranhas do que em zumbis. Há apenas umas duas ou três cenas em que os zumbis tradicionais aparecem. E duas dessas cenas estão presentes no trailer. Não diria que este é um filme de zumbis. Sinto que tinha a oportunidade de mostrar as coisas fascinantes que o T-Virus pode fazer com o corpo humano, com o mundo ao seu redor, então limitar o terror com zumbis normais seria uma oportunidade perdida. Eu tentei diversificar.
Cregger também descreveu uma das criaturas do filme com detalhes que já chamaram atenção nas redes sociais — uma figura humana deformada, de grande porte e completamente calva, encontrada em uma sequência nos esgotos. O diretor revelou que parte da inspiração visual para esse personagem veio do livro “Meridiano de Sangue” (Blood Meridian), de Cormac McCarthy, e que a cena funciona também como uma referência ao Nêmesis, o exterminador icônico de “Resident Evil 3”:
Adoro a ideia de você estar andando pelo esgoto, sem ideia do que está à sua frente e, de repente, virar uma esquina e dar de cara com um homem gigantesco, obeso, nu e sem pelos, sentado bem na sua frente. Parte da inspiração para o visual desse cara vem de Meridiano de Sangue. Então, essa é só uma pequena homenagem a um dos meus livros favoritos. Não tenho um Nêmesis neste filme, um exterminador gigantesco e corpulento que fica te perseguindo. Mas isso também é uma pequena referência ao Nêmesis.
Qual é a história do novo filme?
O longa traz uma trama inédita, sem relação com os filmes anteriores ou com os jogos de forma direta. O protagonista é Bryan, um entregador médico que se vê obrigado a lutar pela sobrevivência ao longo de uma noite que se torna progressivamente mais caótica e aterrorizante. O papel é interpretado por Austin Abrams, conhecido por “The Walking Dead”.
O elenco ainda conta com Zach Cherry (“Ruptura”), Kali Reis (“True Detective: Terra Noturna”) e Paul Walter Hauser (“O Caso Richard Jewell”). O roteiro foi escrito por Cregger em parceria com Shay Hatten, responsável por “Army of the Dead: Invasão em Las Vegas”.
A produção é uma iniciativa da Constantin Film, detentora dos direitos cinematográficos da franquia desde o final dos anos 1990, em parceria com a PlayStation Productions.
O peso do passado: as últimas adaptações da franquia
A pressão sobre o novo filme é considerável. A adaptação mais recente, “Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City” (Resident Evil: Welcome to Raccoon City), de 2021, foi criticada duramente por fãs e pela imprensa especializada, encerrando com apenas 30% de aprovação no Rotten Tomatoes. O filme também foi um fracasso nas bilheterias: arrecadou cerca de US$ 41,9 milhões mundialmente, a partir de um orçamento de US$ 25 milhões, resultado insatisfatório para uma franquia do porte de “Resident Evil”.
O histórico de adaptações da série nos cinemas é marcado por altos e baixos. A saga original protagonizada por Milla Jovovich, entre 2002 e 2016, rendeu mais de US$ 1,2 bilhão em bilheteria global apesar das críticas negativas, mas nunca satisfez o público dos games pela distância em relação ao material original.
Por que essa abordagem pode funcionar?

Ao escolher criaturas diversas como eixo do terror em vez dos zumbis convencionais, Cregger sinaliza um entendimento mais aprofundado do que torna o universo de “Resident Evil” único nos games. A franquia sempre foi sobre horror de corpo, sobre o que o T-Virus faz com organismos, e essa diversidade de mutações é justamente o que diferencia a série de outros produtos do gênero. A decisão de trazer um roteiro inédito também abre caminho para surpresas, sem o peso de comparações diretas com os jogos.
Com Zach Cregger à frente, que demonstrou domínio sobre tensão e atmosfera em “A Hora do Mal”, o novo “Resident Evil” chega com uma proposta visualmente diferente de tudo que a franquia já produziu nos cinemas.
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