O estúdio francês Spiders, responsável por RPGs como “Greedfall” e “Steelrising”, encerrou oficialmente suas atividades. A confirmação veio em 29 de abril de 2025, após a editora Nacon, que controla o estúdio, não encontrar compradores interessados na subsidiária durante seu processo de recuperação judicial. Com a inviabilidade da venda, a Nacon formalizou o pedido de liquidação da Spiders na justiça francesa.
O colapso da Nacon

A Nacon, editora francesa que enfrenta um processo de recuperação judicial, chegou a uma situação limite. A empresa tentou vender a Spiders como parte de uma estratégia para conter o avanço da crise financeira, mas não recebeu propostas viáveis pelo estúdio. Sem saída, a liquidação foi o caminho formal adotado.
A crise, no entanto, vai além da Spiders. Outras três divisões do grupo também entraram com pedidos de insolvência: Cyanide, Kylotonn e Nacon Tech. O colapso em cadeia indica que a situação financeira da editora é mais profunda do que uma questão isolada de um único estúdio. Como reflexo direto desse cenário, a Nacon Connect 2026, evento anual da empresa, foi adiada, e o lançamento físico de diversos jogos previstos para o mercado norte-americano foi cancelado.
Quem era a Spiders?
Fundada em 2008, a Spiders construiu sua reputação entregando RPGs de escopo ambicioso com orçamentos reduzidos. O estúdio ficou conhecido por criar experiências que rivalizavam com produções maiores em termos de profundidade narrativa e sistemas de jogo, mesmo sem os recursos de grandes publishers.
O ponto alto da trajetória do estúdio foi o lançamento de “Greedfall”, em 2019. O RPG de fantasia colonial surpreendeu crítica e público, consolidando a Spiders como um nome respeitado no segmento. Em 2022, o estúdio lançou “Steelrising”, um action-RPG ambientado em uma Paris alternativa da Revolução Francesa, que também foi bem recebido, ainda que com alcance mais limitado.
O último jogo do estúdio não foi suficiente
O encerramento das atividades acontece justamente quando “Greedfall: The Dying World”, continuação direta do título de 2019, deixava o acesso antecipado no Steam. O jogo, no entanto, não obteve o desempenho comercial nem o retorno crítico necessário para reverter a situação da empresa.
Assim, “Greedfall: The Dying World” passa a ser, involuntariamente, o último lançamento da Spiders. Um encerramento que reflete mais as dificuldades financeiras do grupo do que o legado construído pelo estúdio ao longo de quase duas décadas.
O impacto humano do fechamento
O encerramento afeta diretamente cerca de 70 funcionários que estavam em pré-produção de um novo projeto. Com a liquidação, o desenvolvimento foi interrompido e a equipe já iniciou processos de realocação no mercado.
São profissionais que, até pouco tempo, trabalhavam na construção de um novo RPG que jamais verá a luz do dia.
O que esse fechamento significa para o mercado?
A queda da Spiders é mais um sinal de alerta para o segmento de jogos de médio porte, os chamados AA. Com os custos de desenvolvimento em alta e um mercado cada vez mais concentrado em grandes franquias ou títulos independentes de baixo orçamento, estúdios nessa faixa intermediária enfrentam uma pressão crescente para se sustentar.
A Spiders era um dos poucos estúdios que conseguia entregar RPGs densos e com identidade própria sem depender de orçamentos milionários. Seu fechamento representa uma perda real de diversidade criativa na indústria. O espaço que ela ocupava dificilmente será preenchido por outro estúdio com o mesmo perfil no curto prazo.
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