Batman & Robin: por que Schwarzenegger aceitou viver Sr. Frio

Andre Luiz

Quase três décadas depois, Batman & Robin segue como sinônimo de fracasso no gênero. Arnold Schwarzenegger finalmente explicou por que aceitou viver o Sr. Frio naquele longa, e a resposta envolve outro astro da ação, não a DC.

O ator falou sobre o assunto em participação num podcast. Segundo ele, a decisão nasceu de uma disputa de mais de uma década por salários com Sylvester Stallone:

Eu estava ganhando um milhão por Conan 2, isso em 1983. Aí li que o Sly tinha fechado cinco milhões por um filme. Depois consegui dez milhões em 1989, e ele assinou por quinze. Pensei: não tem como alcançar.

A oferta que mudou tudo

A recusa inicial dele foi simples. O ator não queria interpretar vilão algum, por mais alto que fosse o valor oferecido.

O estúdio voltou à mesa com proposta maior, incluindo participação nos lucros da bilheteria. Foi aí que ele aceitou, e a explicação dada agora é reveladora: aquilo era a chance de finalmente sair na frente do rival depois de anos ficando atrás.

O contexto da rivalidade

Os dois dominaram o cinema de ação por mais de uma década. A competição envolvia tudo, de quantidade de inimigos derrotados em cena até o tamanho das armas usadas nos cartazes.

A carreira dele naquele período fala por si. Foram títulos como O Exterminador do Futuro, Predador e Vingador do Futuro em sequência, o que ajuda a entender o poder de barganha em jogo.

Arnold Schwarzenegger como Conan, o Bárbaro – Universal Pictures

Vale um contraponto simpático ao ator. Ele já revelou que o filme preferido dele nem pertence ao gênero de ação, sinal de que a persona pública nem sempre corresponde ao gosto pessoal.

O preço daquela decisão

O resultado é conhecido. O filme foi destroçado pela crítica e deixou a franquia parada por quase uma década, até uma reinvenção completa no cinema.

Existe uma ironia dolorosa nisso. A versão do vilão que o público conhecia vinha de um episódio premiado da série animada dos anos 1990, que deu ao personagem uma dimensão trágica e comovente.

O longa manteve o gelo e descartou a tragédia. Sobraram os trocadilhos, que viraram símbolo de tudo o que não funcionou naquela produção — com direito a Bat-cartão de crédito e tudo.

Para quem não conhece o personagem, uma explicação rápida. O Sr. Frio é um cientista que perdeu a esposa doente e passou a depender de temperaturas baixíssimas para sobreviver, motivação que o transforma em um dos vilões mais melancólicos do catálogo do herói.

A ironia do desfecho

A rivalidade entre Schwarzenegger e Stallone terminou em parceria. Anos depois, os dois passaram a trabalhar juntos em uma franquia construída justamente sobre a nostalgia daquela era do cinema de ação, Os Mercenários.

Vale registrar o outro lado da conta. A honestidade dele ao contar isso décadas depois é rara no meio, e o próprio ator nunca tentou terceirizar a culpa pelo resultado do filme para o diretor Joel Schumacher, frequentemente massacrado pela crítica, ou ao roteiro e estúdio.

Existe uma lição prática aqui. Escalações em produções gigantescas nem sempre nascem de afinidade artística com o material. Às vezes a decisão que define um filme inteiro vem de ego, planilha e vontade de vencer uma disputa pessoal. Saber disso não melhora o resultado, mas explica bastante coisa.

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